O caminho para conseguir um empréstimo pode ter obstáculos pouco conhecidos. As instituições financeiras usam um indicador para entender as chances de inadimplência quando avaliam o risco de conceder um empréstimo, um financiamento ou uma solicitação de cartão de crédito. É o chamado score de crédito, uma pontuação que varia de 0 a 1000 pontos. Quanto maior o número, melhor a reputação no mercado financeiro. Esta pontuação geralmente se baseia em informações de bancos de dados de birôs de crédito e pode variar conforme a metodologia utilizada pela empresa que realiza o cálculo. Os dados incluem o histórico financeiro de cada pessoa, como pagamentos em dia, dívidas em aberto e o número de consultas realizadas ao CPF ou CNPJ. Ter um score de crédito baixo pode afetar significativamente as chances de se conseguir um empréstimo pessoal. E, mesmo obtendo o empréstimo, ele ocorre com limite de crédito reduzido, juros mais altos e prazos de pagamento mais curtos.
São milhões de brasileiros em potencial que podem ser impactados por este cenário, já que 35,3 milhões de pessoas no Brasil não têm histórico de crédito, segundo a Serasa Experian. Para mudar isso, algumas empresas apostam em dados alternativos, oferecendo oportunidades financeiras para quem não é atendido pelos birôs de créditos tradicionais.
Em busca da inovação neste setor, fintechs já usam comportamento digital, padrões de conectividade e ciclos de consumo, além do uso do smartphone, para aprimorar as bases de dados já existentes. Segundo Murilo Menezes, gerente geral da fintech Juvo, o caminho é a tecnologia: "já é possível usar a tecnologia para se criar um score de crédito alternativo, aumentando a taxa de aprovação de empréstimos e com juros menores".
Neste contexto, a inteligência artificial (IA) e o Deep Learning têm papel fundamental, analisando com rapidez robustas bases de dados. "Com tecnologia, é possível chegar a processos de risco mais justos e inteligentes, baseados em modelos preditivos que ainda podem ser treinados em redes neurais para ampliar ainda mais o potencial da criação de score de crédito", afirma Murilo.
Além disso, o mercado atua aliando esses novos recursos técnicos a modelos tradicionais, como a alienação fiduciária, oferecendo um bem como garantia, como casa, carro ou celular. A avaliação de crédito tende a ser mais rápida e as taxas de juros do empréstimo tendem a ser menores.













