A tendência de desenvolvimento de produtos especializados no mercado de seguro de crédito é destacada em relatório da Global Growth Insights. Segundo o estudo, mais de 43% das empresas exploram soluções personalizadas, adaptadas a setores e tipos de comércio específicos, enquanto a demanda por apólices sob medida para pequenas e médias empresas (PMEs) registra aumento de 45%.
De acordo com o documento, o seguro de crédito atua na proteção dos recebíveis e na manutenção do fluxo de caixa das empresas diante de riscos de inadimplência, em um cenário de instabilidade econômica. O levantamento aponta que o mercado global foi avaliado em US$ 13,05 bilhões em 2025 e tem projeção de crescimento gradual até US$ 16,06 bilhões em 2035, impulsionado pelo aumento dos riscos de crédito comercial.
Francisco Eduardo Broering Gomes, CEO da Fairfield Proteção e Inteligência Financeira, avalia que o crescimento do seguro de crédito sob medida nos últimos anos está ligado a uma mudança no comportamento das empresas. "Hoje é preciso vender com previsibilidade de recebimento, proteção de margem e inteligência na concessão de crédito, estruturando apólices que se encaixam exatamente na necessidade específica de cada empresa".
A principal diferença entre o seguro de crédito sob medida e as opções tradicionais está no desenho da solução, que, no modelo tradicional, a empresa tende a se adaptar ao produto, enquanto no seguro de crédito sob medida, a lógica se inverte. "A solução é estruturada para refletir o perfil de risco, os objetivos comerciais e a governança financeira da empresa", afirma.
Segurança financeira e gestão de riscos
Para o CEO da Fairfield, a personalização melhora a segurança financeira porque aproxima a proteção da realidade operacional da empresa. Ele comenta que, para empresas menores, isso pode significar proteção contra um evento de inadimplência que comprometeria o capital de giro. Já para empresas maiores, pode representar ganho de eficiência na gestão da carteira, maior capacidade de suportar concentração de risco e até melhores condições de financiamento.
"O seguro de crédito fortalece a qualidade dos recebíveis. Esse tipo de solução também ajuda a transformar recebíveis em ativos mais ‘bancáveis’, o que reforça a posição financeira da companhia. Uma indústria exportadora, por exemplo, tem riscos bem diferentes de um distribuidor regional, de um atacadista ou de uma empresa com alta concentração em poucos compradores. Quando a cobertura considera esse contexto, a empresa ganha mais previsibilidade de caixa, maior proteção patrimonial e mais segurança para crescer", esclarece o especialista.
Segundo Gomes, a adoção de um seguro de crédito personalizado influencia diretamente a gestão de riscos e a tomada de decisões estratégicas dentro das empresas, porque tira o seguro da posição de custo e o coloca como ferramenta de gestão. Para ele, quando a empresa tem uma solução personalizada, ela passa a decidir melhor sobre concessão de prazo, abertura de novos clientes, expansão comercial, concentração por comprador, entrada em novos mercados e proteção do capital de giro.
"O seguro de crédito deixa de ser apenas uma resposta à inadimplência e passa a participar da estratégia. Isso porque ele oferece um ambiente mais seguro para vender, negociar e crescer. Seguradoras globais destacam que esse tipo de apólice permite ampliar vendas com mais confiança, buscar clientes maiores e sustentar condições comerciais mais competitivas sem elevar desproporcionalmente o risco", acrescenta o profissional.
A pesquisa do Global Growth Insights mostra que mais de 68% das empresas relatam aumento no interesse por seguro de crédito comercial para se proteger contra perdas por insolvência. Entre companhias de médio e grande porte, 56% já utilizam esse tipo de solução na gestão de riscos. A adoção também cresce em setores como manufatura, em que 61% recorrem ao seguro para proteger cadeias de suprimentos, e no varejo, que registra alta de 49% diante da volatilidade do consumo.
"O seguro de crédito sob medida não é apenas um instrumento de proteção contra perdas. Ele é, cada vez mais, uma alavanca de crescimento responsável. Em um ambiente de maior incerteza, empresas que conhecem melhor sua exposição e contam com soluções aderentes à sua operação tendem a tomar decisões mais seguras, preservar caixa e crescer com mais consistência", observa o especialista da Fairfield.
Desafios e tendências
Gomes pontua que o erro mais comum das empresas é buscar uma apólice como se fosse um produto de prateleira, quando, na verdade, deveriam buscar um seguro de crédito adaptável aos seus cenários específicos, focando em desenhar uma estrutura aderente ao risco real do negócio. "O primeiro desafio é entender que risco de crédito não é igual para todas as empresas".
Segundo o especialista, cada operação tem uma dinâmica própria que inclui setor, prazo médio de recebimento, concentração de clientes, exposição geográfica, histórico de inadimplência, sazonalidade e estratégia comercial. "Hoje, personalizar não é um diferencial estético, é uma necessidade técnica. Quanto mais específica for a operação da empresa, maior a importância de uma solução desenhada de forma consultiva, e não padronizada", complementa.
O profissional da Fairfield considera que, nos próximos anos, a tendência mais forte para o mercado de seguros empresariais é o avanço de soluções cada vez mais especializadas, integradas a dados e conectadas à estratégia financeira das empresas.
"O seguro empresarial deve se afastar cada vez mais do conceito de proteção passiva e se aproximar de uma lógica de inteligência de risco, com uso crescente de informações preditivas, monitoramento contínuo e decisões mais dinâmicas, apoiadas em dados para gestão proativa de risco comercial", conclui Gomes.
Para mais informações, basta acessar: https://www.fairfield.com.br/














