O burnout tem sido tratado por instituições de saúde como um tema relevante no debate sobre condições de trabalho e bem-estar. A Organização Mundial da Saúde (OMS) inclui o burnout na 11ª revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11) como um fenômeno ocupacional, e não como uma condição médica. Na definição, a OMS o associa ao estresse crônico no trabalho que não foi administrado com sucesso e descreve três dimensões: exaustão, distanciamento mental (ou cinismo/negativismo) e redução da eficácia profissional.
No Brasil, o tema aparece em materiais de orientação de saúde pública. O Ministério da Saúde descreve a síndrome de burnout como um distúrbio emocional relacionado a situações de trabalho desgastantes, frequentemente marcadas por alta pressão, competitividade ou responsabilidade, e lista sinais como cansaço físico e mental, dificuldade de concentração e dores de cabeça recorrentes, entre outros. O ministério também registra que o quadro pode se associar a agravamentos importantes e recomenda busca de apoio profissional diante de sintomas persistentes.
No panorama internacional, indicadores de condições de trabalho ajudam a contextualizar riscos. Em 2021, OMS e Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgaram estimativas segundo as quais longas jornadas (55 horas semanais ou mais) estiveram associadas a 745 mil mortes por AVC e cardiopatia isquêmica em 2016, em uma tendência de aumento em relação a 2000. O dado não mede burnout diretamente, mas é citado por organismos multilaterais como evidência de que o excesso de horas trabalhadas pode se relacionar a desfechos graves de saúde.
Além de indicadores internacionais, iniciativas brasileiras têm buscado organizar informações para facilitar a identificação de profissionais habilitados para cuidados em saúde mental. Nesse contexto, o Mindee é apresentado como um guia online que reúne psicólogos com registro ativo (CRP) e atua como espaço de conexão entre profissionais e pessoas que buscam atendimento. Entre as áreas de apoio listadas no guia, há a categoria "burnout e esgotamento emocional". Sobre a expansão de soluções digitais nessa área, "o avanço da transformação digital na saúde mental representa uma mudança estrutural na forma como o cuidado psicológico é oferecido e compreendido", afirma Nelson Bittencourt, um dos criadores do Mindee.
É comum diferenciar episódios pontuais de estresse de situações prolongadas de sobrecarga, combinadas com baixa recuperação. Esse quadro tende a elevar o risco de queda de desempenho, afastamentos e impactos na saúde. Nesse contexto, ações como organizar demandas e prazos, definir papéis e responsabilidades, assegurar autonomia compatível com as atribuições, garantir pausas e descanso adequados e, quando necessário, viabilizar acesso a suporte psicológico podem contribuir para reduzir a pressão contínua e favorecer a recuperação.
A busca por avaliação e acompanhamento de profissionais de saúde é recomendada quando os sinais de esgotamento se mantêm ao longo do tempo, se intensificam ou passam a comprometer atividades cotidianas, como sono, concentração e desempenho no trabalho, especialmente quando há agravamento progressivo ou sofrimento relevante. A procura por terapia pode auxiliar no manejo do estresse e das repercussões emocionais associadas ao trabalho, oferecendo um espaço estruturado para avaliação das queixas, desenvolvimento de estratégias de enfrentamento e, quando necessário, encaminhamento para outros cuidados em saúde.











