A suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante Butantan-DV pelo Ministério da Saúde gerou dúvidas entre milhares de moradores de Botucatu que participaram da campanha de vacinação em massa realizada neste ano. A cidade foi uma das três escolhidas pelo governo federal para a estratégia piloto de imunização da população entre 15 e 59 anos. A vacinação teve início em janeiro de 2026 e alcançou cerca de 40 mil aplicações no município.
Segundo o Ministério da Saúde, a suspensão foi adotada por precaução após o registro de 42 casos de reações adversas com sinais de alerta, incluindo três casos classificados como graves e dois óbitos que seguem sob investigação. Até o momento, não existe comprovação de que os eventos tenham sido causados pela vacina.
De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a decisão tem caráter preventivo e permitirá que o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Butantan aprofundem a investigação dos casos para verificar possíveis fatores de risco e eventual relação com o imunizante.
Em Botucatu, a situação é diferente. Conforme dados divulgados pelo próprio Instituto Butantan e pelo Ministério da Saúde, o acompanhamento realizado nos municípios onde houve vacinação em massa não identificou casos importantes de reações adversas na população vacinada. Durante a campanha local não foram registrados óbitos, internações ou eventos graves relacionados à vacina.
A cidade foi escolhida para a estratégia nacional justamente por seu histórico em estudos de efetividade vacinal. Em janeiro, cerca de 80 mil doses foram destinadas ao município para imunização da população de 15 a 59 anos.
Quem já recebeu a vacina deve se preocupar?
A orientação das autoridades de saúde é que as pessoas vacinadas observem o estado de saúde durante os primeiros 21 dias após a aplicação. Quem já recebeu a vacina há mais de três semanas pode ficar tranquilo, segundo especialistas e representantes do Instituto Butantan.
No entanto, caso surjam sintomas como:
- Febre;
- Dor abdominal intensa e contínua;
- Vômitos persistentes;
- Sangramentos;
- Tontura;
- Sonolência excessiva;
- Irritabilidade;
- Sinais de desidratação;
- Piora do estado geral;
a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente.
O Ministério da Saúde também orientou estados e municípios a reforçarem a vigilância dos pacientes vacinados que apresentarem sintomas compatíveis com dengue, além de intensificar a notificação e investigação de possíveis eventos adversos.
Apesar da suspensão temporária, o Ministério da Saúde ressaltou que a medida não invalida a eficácia da vacina e que as pessoas já imunizadas continuam protegidas contra a doença. Estudos clínicos apontaram eficácia de quase 80% contra casos de dengue e cerca de 89% contra formas graves da doença.















