Precatórios somam R$ 330 bi e aquecem mercado de cessão
Precatórios somam R$ 330 bi e aquecem mercado de cessão

A dívida de precatórios no Brasil atingiu R$ 330,4 bilhões, mesmo após o pagamento recorde de R$ 113,4 bilhões em 2025, segundo um levantamento da Folha de S.Paulo. O estoque continua em expansão, o que mantém incertas as datas de recebimento por parte de credores públicos e privados.

Alterações recentes nas regras orçamentárias que disciplinam esses pagamentos explicam a persistência do aumento do volume e a falta de um calendário definido para quitação. Para empresas e famílias que dependem desses recursos, o efeito prático é a retenção de fluxo de caixa sem uma previsão firme de liberação.

Nesse cenário, a cessão de crédito tem ganhado relevância como alternativa de liquidez. De acordo com a Serasa Experian, a cessão consiste em um negócio jurídico formal que transfere a terceiros o direito de receber um crédito.

Embora esse tipo de operação seja uma prática comum no mercado de dívidas privadas, o mecanismo vem sendo adaptado aos precatórios, permitindo que titulares transformem o título judicial em dinheiro antes da homologação final.

A lógica segue a experiência acumulada no crédito privado, onde a cessão de recebíveis é utilizada para mitigar a inadimplência e acelerar a rotação de carteiras. Aplicada aos precatórios, a operação permite que investidores adquiram os créditos com deságio — diferença entre o valor nominal do precatório e o valor pago à vista — remuneração que cobre o risco e o tempo de espera.

A decisão da venda do precatório, para o seu detentor, envolve comparar a expectativa de pagamento integral, que pode levar anos, com a oferta de adiantamento com deságio, que garante recursos imediatos. É uma escolha que impacta o planejamento financeiro e requer análise detalhada de custos, prazos e garantias.

O mercado de compra de precatórios está se profissionalizando, com a emergência de originadoras especializadas na análise, precificação e aquisição desses créditos judiciais. A Preks, empresa atuante há mais de seis anos no segmento, exemplifica essa tendência.

"O crescimento da cessão de precatórios exige uma análise cuidadosa da proposta e atenção à segurança jurídica da operação", afirma João Carlos Garcia, CEO da Preks e ex‑vice‑presidente da Caixa Econômica Federal.

Com o estoque em alta e sem horizonte definido para pagamento integral pelo governo, projeta‑se um aumento no número de credores que buscarão a cessão de precatórios como forma de antecipar recursos que, de outra maneira, permaneceriam parados por anos na fila de espera.