As transformações no trabalho e nos modelos de negócio têm levado empresas e instituições públicas a revisar a forma como planejam. O relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, indica que 39% das competências centrais exigidas dos trabalhadores devem mudar até 2030. O levantamento associa esse movimento ao avanço tecnológico, às mudanças demográficas, às tensões geoeconômicas e às pressões econômicas.
Nesse ambiente, o foresight estratégico passou a ser utilizado como uma abordagem para explorar futuros plausíveis e preparar decisões no presente. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) define o método como um processo estruturado e sistemático de investigação de cenários possíveis. A lógica difere da previsão baseada em um único resultado, pois considera incertezas, sinais emergentes, tendências e acontecimentos capazes de alterar trajetórias.
Entre as práticas adotadas estão a observação de sinais de mudança, a construção de cones de plausibilidade, o mapeamento de consequências e a elaboração de cenários. Matrizes formadas por incertezas críticas permitem que equipes testem estratégias em contextos distintos e identifiquem suposições que poderiam permanecer invisíveis em planejamentos lineares. A OCDE também aponta que o foresight adaptativo pode ampliar a agilidade estratégica ao organizar a incerteza e apoiar a preparação para diferentes futuros.
O tema também alcançou programas de formação profissional. O curso online Explorando Futuros, da Hyper Island, organiza o conteúdo em seis módulos que passam por sinais de mudança, futuros adjacentes, construção de cenários, pensamento de futuros episódicos, design especulativo e ética. Os materiais apresentam ferramentas como a Roda de Futuros, matrizes de cenários e protótipos especulativos, utilizados para analisar impactos de médio e longo prazo e discutir consequências intencionais e não intencionais.
A construção de cenários procura criar narrativas diferentes sobre como determinado contexto pode evoluir. Cada cenário reúne fatores internos, forças externas, tendências e incertezas consideradas relevantes para uma decisão. A comparação entre essas possibilidades permite avaliar como uma estratégia responderia a alterações no comportamento social, na regulação, na economia ou na adoção de novas tecnologias.
O design especulativo acrescenta uma dimensão visual e narrativa a esse trabalho. Objetos, serviços, ambientes e histórias ambientados em futuros possíveis podem tornar consequências abstratas mais perceptíveis para equipes e gestores. Os protótipos produzidos nesse processo funcionam como instrumentos de discussão, sem a necessidade de que sejam desenvolvidos comercialmente.
A inclusão da ética amplia a análise para impactos que podem atingir grupos sociais de maneiras diferentes. Tecnologias, serviços e políticas carregam escolhas sobre acesso, privacidade, segurança e distribuição de riscos. Por esse motivo, o pensamento de futuros também observa quem participa da construção dos cenários, quais perspectivas foram excluídas e quais consequências podem surgir após a implementação de uma decisão.
A Unesco trata a alfabetização em futuros como uma competência relacionada ao uso da imaginação para preparação, recuperação e criação diante de mudanças. Essa perspectiva reforça o uso de múltiplos cenários como instrumento de aprendizagem e tomada de decisão. A abordagem aceita a incerteza como parte do processo e permite que respostas sejam revistas conforme novos sinais aparecem.














