A Rede de Proteção à Vida está realizando uma pesquisa para ouvir a população de Botucatu sobre os serviços de urgência e emergência em saúde mental oferecidos no município. O levantamento é anônimo, voluntário e totalmente online.

Participe através do link: https://forms.gle/CoCK4kAZbb7DczEs9

A iniciativa pretende identificar experiências, necessidades e expectativas de quem já utilizou, acompanhou ou tem percepção sobre esse tipo de atendimento, reunindo informações que possam contribuir para o debate e para a construção de propostas junto ao poder público.

Segundo a Rede de Proteção à Vida, as respostas serão analisadas de forma conjunta, sem identificação dos participantes. A proposta é contribuir para o desenvolvimento de um atendimento mais humanizado, acessível e adequado às necessidades da população.

A pesquisa ganha relevância em uma cidade onde a saúde mental e, especialmente, a prevenção ao suicídio já foram objeto de estudos e discussões públicas ao longo dos últimos anos.

Botucatu já foi alvo de estudos sobre suicídio

Pesquisadores ligados à Universidade Estadual Paulista (Unesp) já desenvolveram estudos específicos sobre os casos registrados em Botucatu.

Um dos trabalhos, realizado na Faculdade de Medicina de Botucatu, analisou ocorrências registradas no município em 2009 e teve orientação do psiquiatra José Manoel Bertolote, professor da instituição e especialista que atuou durante anos junto à Organização Mundial da Saúde (OMS).

Posteriormente, durante discussão promovida pela Câmara Municipal, Bertolote abordou novamente o tema. Na ocasião, o Legislativo registrou que Botucatu apresentava uma média de suicídios considerada elevada em comparação à média nacional entre municípios com mais de 100 mil habitantes.

Dados divulgados em 2015 também mostravam a dimensão do problema naquele período. Botucatu havia registrado 191 notificações de tentativas de suicídio em 2014, além de 13 mortes naquele ano.

Naquele levantamento, a taxa calculada para o município era próxima de 10 mortes por 100 mil habitantes, enquanto a taxa nacional utilizada para comparação era de 5,8 por 100 mil habitantes.

Os dados são históricos e não representam a situação atual nem devem ser interpretados como um ranking atual de Botucatu, mas ajudam a contextualizar por que o tema permanece recorrente nas discussões de saúde pública do município.

Pesquisa recente analisou mais de 800 atendimentos

O assunto continuou sendo investigado nos anos seguintes. Uma pesquisa publicada em 2025 analisou 807 casos de tentativas de suicídio atendidos por serviços móveis de emergência nas regiões de Botucatu e Ourinhos, considerando ocorrências registradas entre 2018 e 2019.

O estudo apontou associação significativamente maior da região de Botucatu com registros de ideação suicida e autoagressão em comparação com a região de Ourinhos analisada na pesquisa.

Em maio deste ano, o tema voltou ao debate na Câmara Municipal de Botucatu. Um requerimento para a realização de audiência pública mencionou o aumento de casos de sofrimento psíquico, suicídios e tentativas de suicídio e propôs uma discussão sobre estrutura de atendimento, acolhimento, capacidade das equipes e integração da rede de saúde mental.

Como participar

A pesquisa da Rede de Proteção à Vida é 100% online e pode ser acessada pelo QR Code disponível no material divulgado pela entidade.

De acordo com a organização, todas as respostas são confidenciais e não haverá identificação dos participantes. As informações coletadas serão analisadas de forma conjunta e poderão subsidiar propostas e ações relacionadas à saúde mental junto ao poder público.

A entidade destaca que a participação da população é importante para construir um diagnóstico mais preciso sobre a experiência dos moradores com os serviços de urgência e emergência em saúde mental de Botucatu.