O acúmulo de assinaturas já pesa no orçamento de milhões de famílias brasileiras, e o mercado começa a sentir os efeitos da conta que não fecha

Em 2011, quando a Netflix chegou ao Brasil cobrando R$ 14,99 pelo plano mais simples, o streaming parecia a resposta definitiva para quem queria fugir dos pacotes caros da TV por assinatura. Quinze anos depois, o cenário se inverteu.

O plano padrão da mesma Netflix custa R$ 44,90 e o premium chega a R$ 59,90. O Disney+ cobra R$ 66,90 na versão completa. A Max (ex-HBO Max) pede R$ 55,90 sem anúncios.

Quem quiser manter três ou quatro plataformas ativas ao mesmo tempo gasta entre R$ 170 e R$ 300 por mês, valor que já supera o que muitas famílias pagavam pela TV a cabo há uma década.

Os números ajudam a dimensionar o problema. Segundo dados do IBGE, 32,7 milhões de domicílios brasileiros contavam com pelo menos um serviço de streaming pago em 2024, 1,5 milhão a mais do que no ano anterior. A presença subiu de 42,1% para 43,4% dos lares com televisão.

O mercado brasileiro de plataformas de vídeo movimenta cerca de R$ 69,7 bilhões por ano, considerando serviços por assinatura e plataformas de conteúdo gerado por usuários, segundo estudo da Ancine.

A previsão da PwC aponta que os brasileiros devem investir US$ 39,4 bilhões em streaming, música, games e serviços digitais em 2025, o que coloca o país na 11ª posição no ranking global do setor.

O gasto médio mensal do brasileiro com assinaturas digitais gira em torno de R$ 118, distribuídos entre 3,8 serviços por pessoa. A conta faz sentido quando se consideram apenas dois ou três aplicativos. Quando se tenta reunir todos, o valor ultrapassa R$ 4 mil por ano nos planos sem anúncios.

O peso dos reajustes consecutivos

Parte da frustração do consumidor não vem do preço isolado de cada plataforma, mas da frequência dos aumentos. A Netflix triplicou o valor do plano padrão desde sua estreia no Brasil, acumulando alta de 201% em pouco mais de uma década. O Apple TV+, que chegou ao país em 2019 custando R$ 9,90, hoje cobra R$ 29,90, um salto de mais de 200%.

O Prime Video, da Amazon, tinha mensalidade equivalente a menos de R$ 20 quando era cobrado em dólar e, mesmo sendo um dos mais baratos atualmente (R$ 19,90), passou por reajustes que acompanharam a desvalorização do real.

Esses aumentos nem sempre vieram acompanhados de uma ampliação proporcional nos catálogos. O Panorama VOD 2025, publicado pela Ancine, revelou que as cinco plataformas com maior audiência no Brasil oferecem apenas 6,3% de obras brasileiras em seus acervos.

Do total, 3,4% correspondem a produções independentes. O conteúdo disponível tende a se concentrar em franquias globais e títulos com apelo de massa, enquanto a diversidade diminui.

Para compensar a percepção de preço alto, as plataformas passaram a adotar planos com anúncios. A Netflix tem uma opção a R$ 20,90 com publicidade. A Disney+ oferece versão a R$ 27,99 no mesmo formato. A Max cobra R$ 29,90. A estratégia funciona para atrair novos assinantes, mas muda a experiência de quem se acostumou a assistir sem interrupções.

De acordo com a PwC, o modelo de streaming com publicidade (AVOD) deve passar de 20% da receita global em 2020 para 27,1% até 2029.

A rotatividade como estratégia de sobrevivência

Com o orçamento pressionado, muitos brasileiros passaram a adotar a chamada rotatividade de plataformas. A lógica é simples: assinar um ou dois serviços por vez, maratonar os títulos mais relevantes e cancelar antes de migrar para outro.

Uma pesquisa da Vindi e do Opinion Box mostrou que 56% dos brasileiros gastam entre R$ 51 e R$ 200 por mês com assinaturas e que 26% planejam aumentar esse tipo de despesa em 2025.

O compartilhamento de senhas com pessoas fora do mesmo endereço, que já foi prática comum, recuou de 56% para 49% entre 2024 e 2025, reflexo direto das políticas mais rígidas adotadas pelas plataformas.

Operadoras de internet e bancos digitais também entraram no jogo, oferecendo combos que reúnem múltiplos serviços com desconto. A ideia é atrair clientes pela conveniência e reduzir o atrito da assinatura individual.

Para o consumidor, porém, nem sempre esses pacotes entregam o que prometem. Alguns incluem plataformas que o assinante jamais abrirá, enquanto a economia real depende do perfil de consumo de cada família.

A TV por assinatura perde terreno

Enquanto o streaming avança, a TV por assinatura tradicional recua. Dados da Anatel mostram que o serviço perdeu 51% dos assinantes entre 2014 e 2024, caindo de 19,6 milhões para 9,5 milhões.

A migração para plataformas digitais explica boa parte da queda. A pesquisa Comscore sobre comportamento de consumo na América Latina indica que os brasileiros passam, em média, 22 horas por semana assistindo conteúdo em serviços de streaming.

A queda da TV paga criou um espaço que nem sempre foi preenchido com qualidade. Muitos consumidores saíram de um pacote caro e pouco flexível para cair em outro modelo que, com o acúmulo de assinaturas, acaba custando o mesmo ou mais.

A diferença é que, no streaming, o controle está na mão do assinante. Ele pode cancelar, trocar e pausar com poucos cliques. Na TV a cabo, a burocracia e os contratos de fidelidade tornavam essa decisão mais difícil.

IPTV ganha espaço como alternativa ao modelo tradicional

Nesse cenário de assinaturas acumuladas e preços em alta, o IPTV (Internet Protocol Television) se consolidou como uma das alternativas mais procuradas pelos brasileiros.

O modelo permite acessar canais de TV, filmes e séries por meio da conexão de internet, usando aparelhos como TV Box, Smart TVs e até celulares. A proposta atrai quem quer reunir um volume grande de conteúdo em um único serviço, pagando valores que costumam ficar entre R$ 30 e R$ 50 por mês. Por isso, o interesse por teste de IPTV também cresceu entre consumidores que querem avaliar a plataforma antes de contratar.

A popularidade do formato cresceu junto com a melhora da internet doméstica no país. Conexões de fibra óptica mais rápidas e estáveis permitiram que a transmissão por IP deixasse de ser uma opção com travamentos constantes e passasse a competir em qualidade com os serviços tradicionais.

As buscas pelo termo “IPTV” aumentaram ano após ano, e o mercado de aparelhos compatíveis se expandiu tanto no varejo físico quanto nas grandes plataformas de e-commerce.

O apelo do IPTV está na relação entre volume de conteúdo e custo. Enquanto manter quatro ou cinco plataformas de streaming exige um investimento que pode ultrapassar R$ 250 mensais, um serviço de IPTV costuma reunir centenas de canais e bibliotecas de filmes e séries por uma fração desse valor. Para famílias com orçamento apertado, a conta pesa na decisão.

A Anatel estima que entre 4 milhões e 8 milhões de brasileiros já utilizam algum tipo de serviço de IPTV, considerando tanto usuários recorrentes quanto eventuais. O número reforça que o formato deixou de ser nicho e passou a fazer parte do consumo cotidiano de entretenimento em uma parcela significativa dos domicílios.

Nesse cenário, a procura por teste de IPTV ajuda a explicar por que o interesse pelo formato continua em alta no país.

O que muda na decisão de quem assiste

O cenário atual exige do consumidor uma gestão mais ativa do próprio entretenimento. Manter todas as plataformas ativas ao mesmo tempo deixou de ser viável para a maioria dos orçamentos.

A alternância entre serviços, a escolha criteriosa de planos com ou sem anúncios e a avaliação periódica do que de fato é assistido se tornaram práticas comuns entre assinantes mais atentos.

As operadoras de telecomunicações perceberam essa mudança de comportamento e começaram a atuar como agregadoras. Pacotes que combinam internet banda larga com acesso a duas ou três plataformas de streaming já são oferecidos como diferencial competitivo, com preços que, em alguns casos, ficam abaixo da soma das assinaturas individuais.

Para quem busca conteúdo gratuito, há opções disponíveis. Canais de TV aberta transmitem sinal por aplicativos de streaming sem custo, como TV Cultura, TV Brasil e a própria Globo, que oferece parte do catálogo do Globoplay sem cobrança. Plataformas como Pluto TV e Samsung TV Plus também entregam programação gratuita financiada por publicidade.

O mercado de entretenimento digital segue em expansão. A PwC projeta que o setor global atingirá US$ 3,5 trilhões em receita até 2029. O streaming responde por uma fatia crescente desse bolo.

Resta saber se o modelo de múltiplas assinaturas vai se sustentar diante de um consumidor que, cada vez mais, compara o quanto gasta com o quanto realmente assiste.