Água que chega às torneiras tem rígido controle químico
Água que chega às torneiras tem rígido controle químico

A água que chega às torneiras percorre um processo que combina diferentes etapas físicas e químicas para remover partículas, matéria orgânica e microrganismos. Segundo a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), no Sistema Guandu, responsável por grande parte do abastecimento da Região Metropolitana, o tratamento inclui coagulação química, floculação, decantação, filtração, fluoretação, desinfecção e correção do pH, processos necessários para remover impurezas e tornar a água adequada ao consumo.

O controle continua mesmo depois que a água deixa a estação. A Portaria GM/MS nº 888, que estabelece os procedimentos de controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade, determina a manutenção de desinfetante residual em toda a extensão do sistema de distribuição. No caso do cloro residual livre, a concentração mínima exigida é de 0,2 miligrama por litro, incluindo reservatórios e redes, para ajudar a preservar a qualidade microbiológica da água até sua chegada aos pontos de consumo.

A continuidade desse processo depende também de uma cadeia industrial capaz de fornecer os insumos necessários sem interrupções. A Katrium Indústrias Químicas é a fornecedora exclusiva do cloro utilizado no tratamento da água captada no Rio Guandu. Segundo Renan Coelho, diretor comercial da empresa que integra o grupo peruano Quimpac, atender um sistema dessa dimensão exige capacidade produtiva, planejamento e uma operação logística permanente.

"O controle da dosagem e da qualidade da água é realizado pela Cedae e pelas equipes responsáveis pelo tratamento. À Katrium cabe produzir e fornecer um insumo essencial dentro das especificações exigidas, com qualidade, segurança e regularidade", explica Coelho.

No tratamento, segundo ele, o cloro é empregado principalmente na desinfecção, etapa destinada a inativar bactérias, vírus e outros microrganismos capazes de transmitir doenças. Parte do produto permanece na água após sua aplicação, formando o chamado cloro residual livre. Sua presença ajuda a preservar a qualidade microbiológica da água durante o percurso pelos reservatórios, tubulações e redes de distribuição.

A quantidade aplicada, entretanto, não segue uma receita única. A dosagem é definida pelos operadores das estações de acordo com as características da água captada e com os resultados das análises realizadas durante o tratamento. Turbidez, presença de matéria orgânica, temperatura, pH e tempo de contato estão entre os fatores considerados no processo.

Segundo o Manual de Controle da Qualidade da Água para Técnicos que Trabalham em Estações de Tratamento, publicado pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), as características da água bruta interferem na escolha e na operação dos processos utilizados para torná-la potável. Chuvas, períodos de estiagem e alterações nos mananciais podem modificar parâmetros como turbidez e cor, exigindo acompanhamento e eventuais ajustes no tratamento.

No Sistema Guandu, a Cedae informa que, além de turbidez e cor, parâmetros como alcalinidade, pH, residual de cloro e concentração de flúor também são analisados para controlar o processo e a qualidade da água produzida. À estação cabe definir as dosagens necessárias e verificar o atendimento aos padrões de potabilidade. À indústria fornecedora cabe assegurar que o insumo seja entregue dentro das especificações exigidas e em quantidade suficiente para que o serviço não seja interrompido.

Coelho ressalta que a produção e a entrega do cloro envolvem controles de qualidade, armazenamento adequado e protocolos específicos de segurança e transporte. "Estamos falando de um produto indispensável a um serviço que não pode parar. Ser o fornecedor exclusivo do cloro utilizado no tratamento da água captada no Guandu demonstra a capacidade da Katrium de atender, com segurança e continuidade, uma infraestrutura essencial para milhões de pessoas", afirma.

A relevância desse trabalho ganha dimensão diante dos desafios ainda existentes no acesso à água segura. Relatório divulgado em 2025 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostrou que 2,1 bilhões de pessoas ainda não dispunham, em 2024, de serviços de água potável geridos com segurança. Apesar dos avanços registrados nas últimas décadas, uma em cada quatro pessoas no mundo permanecia sem esse atendimento.

"Mais do que uma operação realizada dentro das estações, o tratamento da água depende da integração entre conhecimento técnico, monitoramento, infraestrutura e uma cadeia confiável de fornecimento", avalia o executivo da Katrium. "Nesse conjunto, a indústria química ocupa um papel estratégico ao assegurar a disponibilidade dos insumos necessários para que uma das atividades mais importantes para a saúde pública seja mantida diariamente", conclui.