Empresas brasileiras iniciam o ano de 2026 com decisões financeiras pautadas pela manutenção de juros elevados, pela volatilidade dos preços e pelas mudanças regulatórias em curso no país. Na primeira reunião do ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) em 15,00% ao ano, conforme a nota divulgada pelo Banco Central do Brasil (BCB).
Com a Selic nesse patamar, operações de financiamento, renegociação de dívidas e gestão de capital de giro passam a depender ainda mais do calendário de recebimentos e pagamentos. Isso tende a direcionar a atenção para prazos, condições comerciais, estoques e compromissos recorrentes, porque pequenas mudanças nessas variáveis podem alterar a necessidade de caixa ao longo das semanas.
Ao mesmo tempo, o comportamento de preços segue como referência para contratos e custos. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) variou 0,33% em dezembro de 2025 e fechou 2025 com alta acumulada de 4,26%. Esse tipo de dado costuma entrar na revisão de preços, reajustes e recomposição de margem, principalmente quando há contratos com correção periódica.
Com juros e inflação presentes no planejamento, a gestão tende a se apoiar mais em rotinas de acompanhamento do caixa, e menos em análises apenas de fechamento mensal. Materiais técnicos sobre controle financeiro descrevem o fluxo de caixa como instrumento para registrar entradas e saídas e apoiar decisões sobre a situação financeira, como aponta o conteúdo do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Dentro desse tipo de rotina, projeções em janelas curtas ajudam a antecipar compromissos e ajustar prazos antes que o efeito apareça no saldo bancário.
Em paralelo ao cenário macroeconômico, a reforma tributária entra em fase de detalhamento e preparação operacional. A base normativa está na Emenda Constitucional nº 132/2023, e a regulamentação inclui marcos como a Lei Complementar nº 214/2025, que institui o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).
Na operação, esse movimento costuma exigir ajustes em processos que conectam fiscal, financeiro e comercial, como cadastros, regras de faturamento, parametrizações e critérios de precificação, especialmente durante a transição. O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) descreve o novo desenho e os principais elementos do modelo em materiais técnicos, como o PDF "Reforma Tributária: o novo Sistema Tributário Brasileiro".
Depois de juros, inflação e regras, o tema da governança tende a aparecer como consequência direta da necessidade de decisão com critério e registro. Rodrigo de Paula, CEO da VBMC Consultores, afirma: "Quando não há regras claras de governança, especialmente em finanças, a empresa perde previsibilidade e passa a decidir no modo urgência". Nesse recorte, governança se relaciona com papéis definidos, critérios de aprovação e ritos de acompanhamento para decisões que afetam caixa, margem e endividamento.
Nesse encadeamento, rotinas financeiras passam a ser tratadas como parte da execução do ano, com método e frequência. Modelos de acompanhamento que organizam projeções de curto prazo, como o fluxo de caixa projetado, e práticas de controle que comparam desempenho e premissas, como o real x orçado, se conectam ao mesmo ponto: transformar dados de caixa e resultado em decisões registradas e revisadas ao longo do tempo.
Com a Selic em 15,00% ao ano, o IPCA de 2025 em 4,26% e a reforma tributária avançando na regulamentação, o início de 2026 mantém o foco no mesmo eixo trabalhado desde o começo: variáveis econômicas e regulatórias pressionam a operação, a operação exige rotina, e a rotina tende a depender de método para dar previsibilidade às decisões.














