Procedimento é o quinto mais realizado no mundo e, no Brasil, ganha espaço como intervenção que une aparência e função respiratória
Uma dificuldade para respirar que se arrasta por anos, noites mal dormidas por causa do ronco, sinusite que volta a cada mudança de temperatura. Para muita gente, esses sintomas fazem parte da rotina e raramente são associados a um problema estrutural do nariz.
O que pouca gente sabe é que boa parte dessas queixas tem origem em alterações anatômicas internas, como o desvio de septo nasal, e que a rinoplastia, conhecida popularmente como “plástica do nariz”, pode ter indicação funcional, e não apenas estética.
O Brasil ocupa posição de destaque quando o assunto é cirurgia plástica. Segundo relatório da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), divulgado em 2025, o país liderou o ranking mundial de procedimentos cirúrgicos estéticos em 2024, com mais de 2 milhões de cirurgias realizadas naquele ano.
A rinoplastia aparece entre os cinco procedimentos mais executados no planeta, com cerca de 1,08 milhão de intervenções registradas globalmente no mesmo período.
Os números impressionam, mas escondem um detalhe que merece atenção. Uma parcela significativa dessas cirurgias não é motivada pela vaidade.
Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) indicam que aproximadamente 65% das rinoplastias realizadas no país são combinadas com septoplastia, procedimento voltado à correção do desvio de septo.
Na prática, isso significa que a maioria dos pacientes que passa pela cirurgia do nariz busca, ao mesmo tempo, melhorar a respiração e a aparência.
Quando respirar mal deixa de ser “normal”
O desvio de septo nasal é uma condição em que a parede que separa as duas narinas está desalinhada, obstruindo parcial ou totalmente a passagem de ar.
A alteração pode ser congênita ou resultado de traumas ao longo da vida. O problema é comum: estima-se que grande parte da população tenha algum grau de desvio, embora nem todos apresentem sintomas.
Os sinais mais frequentes incluem obstrução nasal persistente, respiração pela boca durante o sono, ronco, dores de cabeça recorrentes e episódios repetidos de sinusite. Com o tempo, a dificuldade respiratória compromete a qualidade do sono, reduz o desempenho em atividades físicas e prejudica a concentração no trabalho e nos estudos.
Muitas pessoas convivem com esses sintomas durante anos sem procurar avaliação médica, atribuindo o desconforto a alergias ou à poluição.
A confusão entre rinite alérgica e obstrução mecânica do nariz é um dos fatores que mais retardam o diagnóstico. Um paciente que toma antialérgico por conta própria durante meses sem melhora, por exemplo, pode estar tratando o sintoma errado.
A avaliação otorrinolaringológica com exame de videoendoscopia nasal permite identificar com precisão a causa da obstrução e definir se há indicação cirúrgica.
A diferença entre rinoplastia estética e funcional
Existe uma distinção importante entre a rinoplastia que busca alterar a forma do nariz por razões visuais e a que tem como objetivo principal melhorar a passagem de ar.
A rinoplastia estética modifica contornos, reduz ou aumenta estruturas e corrige assimetrias externas. A funcional atua na parte interna: corrige desvios de septo, reduz cornetos hipertrofiados e trata válvulas nasais comprometidas.
Na prática clínica, as duas abordagens são frequentemente combinadas em um único procedimento, a chamada rinosseptoplastia. O cirurgião corrige o septo internamente e, ao mesmo tempo, ajusta a forma externa do nariz. O benefício para o paciente é evidente: uma só anestesia, uma só recuperação e um resultado que contempla saúde e aparência.
Estudos publicados no Brazilian Journal of Otorhinolaryngology mostram que pacientes submetidos à rinosseptoplastia apresentam redução significativa na frequência de sinusite crônica e melhora na qualidade do sono, com diminuição de episódios de apneia e ronco.
Segundo especialistas de uma clínica de rinoplastia em Goiânia, os resultados funcionais costumam ser percebidos já nas primeiras semanas após a cirurgia, enquanto o resultado estético definitivo se consolida ao longo de meses.
A escolha do profissional e os cuidados que fazem diferença
A rinoplastia é considerada uma das cirurgias mais complexas dentro da cirurgia plástica facial. Qualquer alteração na estrutura externa do nariz tem o potencial de modificar a dinâmica do fluxo de ar interno. Por isso, o procedimento exige um profissional que domine tanto a dimensão estética quanto a funcional.
O Conselho Federal de Medicina (CFM) reconhece que as especialidades habilitadas para realizar rinoplastia são a cirurgia plástica e a otorrinolaringologia. Na hora de escolher o cirurgião, vale verificar o registro no CRM, a inscrição no Registro de Qualificação de Especialista (RQE) e o vínculo com sociedades médicas reconhecidas, como a SBCP ou a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia (ABORL-CCF).
O volume de procedimentos realizados pelo profissional também conta. Cirurgiões que concentram a prática em rinoplastia tendem a acumular experiência com diferentes tipos de nariz, anatomias e complexidades, o que influencia diretamente na previsibilidade do resultado.
Pedir para ver fotos de casos anteriores, conversar sobre expectativas realistas e entender os limites do procedimento são passos que ajudam o paciente a tomar uma decisão mais segura.
Interior de São Paulo tem referência em medicina e forma especialistas
Cidades do interior paulista que abrigam faculdades de medicina e hospitais universitários cumprem papel relevante na formação de especialistas e no acesso da população a procedimentos de média e alta complexidade. Botucatu é um exemplo.
O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB), vinculado à Unesp, é a maior instituição pública ligada ao SUS na região e atende 68 municípios, com abrangência estimada de 2 milhões de pessoas.
O complexo hospitalar realiza cerca de 10 mil cirurgias por ano e mantém programas de residência médica em diversas especialidades, incluindo otorrinolaringologia e cirurgia plástica.
A presença de um hospital universitário desse porte contribui para a qualificação dos profissionais que atuam na região e amplia as opções de atendimento para quem precisa de avaliação especializada sem recorrer à capital.
Para moradores de Botucatu e das cidades vizinhas, a proximidade com centros de referência médica representa uma vantagem concreta. Consultas de avaliação, exames complementares e acompanhamento pós-operatório podem ser feitos sem longas viagens, o que facilita a adesão ao tratamento e reduz os custos indiretos para o paciente.
Rinoplastia entre jovens: crescimento acende alerta sobre expectativas
O Brasil lidera o ranking mundial de cirurgias plásticas realizadas em jovens. Segundo a SBCP, 97 mil procedimentos foram feitos em pessoas com até 18 anos. A rinoplastia está entre as cirurgias mais procuradas nessa faixa etária, impulsionada em parte pela exposição a padrões estéticos disseminados em redes sociais.
Dra. Ana Paula Brandão, médica referência em cirurgia estética e funcional do nariz em Goiânia, alerta que a cirurgia do nariz em adolescentes exige cautela. O crescimento facial precisa estar completo antes de qualquer intervenção, o que costuma ocorrer entre 15 e 17 anos.
Além da maturidade física, a avaliação psicológica é recomendada para distinguir uma queixa estética pontual de uma insatisfação excessiva com a própria imagem, condição conhecida como transtorno dismórfico corporal.
Quando há indicação funcional, como desvio de septo que compromete a respiração e prejudica o desempenho escolar ou esportivo, a cirurgia pode ser realizada mais cedo, desde que com avaliação criteriosa e acompanhamento multidisciplinar. O diálogo entre o paciente, a família e o cirurgião é o que define o momento adequado para a intervenção.
O que considerar antes de decidir pela cirurgia
A decisão de fazer uma rinoplastia não deve ser tomada por impulso. Algumas perguntas ajudam a organizar o raciocínio antes de marcar uma consulta: a queixa é estética, funcional ou as duas coisas? Os sintomas respiratórios foram investigados por um especialista? O profissional escolhido tem formação e experiência comprovadas na área? As expectativas em relação ao resultado são compatíveis com o que a cirurgia pode oferecer?
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determina que a septoplastia, por ser um procedimento funcional, tem cobertura obrigatória pelos planos de saúde. A rinoplastia estética, por outro lado, não é coberta.
Quando o procedimento combina as duas abordagens, o plano costuma cobrir a parte funcional, enquanto os honorários referentes à correção estética ficam por conta do paciente. Essa informação é relevante para quem precisa planejar financeiramente a cirurgia.
No pós-operatório, o paciente deve seguir as orientações médicas com rigor. Inchaço, desconforto leve e uso de placa nasal fazem parte da recuperação inicial. A maioria das atividades cotidianas pode ser retomada em uma a duas semanas, mas exercícios físicos intensos e exposição ao sol exigem um intervalo maior. O resultado definitivo, tanto estético quanto funcional, costuma se estabilizar entre seis meses e um ano após o procedimento.
A rinoplastia é, hoje, uma cirurgia segura e com alto índice de satisfação quando realizada por profissionais qualificados, em ambiente adequado e com expectativas bem alinhadas.
Para quem convive há anos com dificuldade para respirar ou com um incômodo persistente em relação à aparência do nariz, buscar uma avaliação especializada é o primeiro passo. O restante é técnica, planejamento e confiança no profissional escolhido.















