Cidade registra oito acidentes com abelhas em 2026; número de solicitações à Vigilância Ambiental já supera todo o ano passado, quando foram contabilizadas 450 ocorrências

A morte de Olga Spadot, de 80 anos, após um ataque de abelhas africanizadas no Jardim Eldorado, acendeu novamente o alerta em Botucatu. Ela é a segunda vítima fatal de ataques de abelhas na cidade em 2026 — e, nos dois casos, as vítimas eram idosas.

Dados divulgados pela Vigilância Ambiental em Saúde (VAS) mostram que Botucatu contabiliza oito acidentes e duas mortes envolvendo abelhas neste ano. Paralelamente, o órgão já recebeu 534 solicitações relacionadas à presença de abelhas africanizadas, contra 450 durante todo o ano de 2025. São 84 chamados a mais, crescimento de quase 19% antes mesmo do fim do ano.

É importante diferenciar os números: as 534 ocorrências não representam 534 ataques. O total inclui pedidos de avaliação, captura e manejo de enxames ou colônias encontrados em imóveis e outros locais. Em 2025, por exemplo, apesar dos 450 chamados atendidos pela VAS, foram oficialmente registrados 14 acidentes.

Olga foi atacada no último domingo (30), enquanto estava na horta de sua residência. Ela foi encontrada caída e tentou se proteger cobrindo o corpo com uma blusa. Bombeiros precisaram utilizar equipamentos de proteção para chegar até a vítima. A idosa foi levada em estado grave ao Hospital das Clínicas de Botucatu, mas morreu nesta terça-feira (1º).

A primeira morte do ano ocorreu em 23 de março, no bairro Green Valley. Márcia Maria Bertani Favarin, de 76 anos, morreu após ser atacada dentro de casa. O marido, de 70 anos, e o filho, de 38, também foram atingidos e precisaram de atendimento médico.

Por que idosos merecem atenção especial?

Os dois óbitos registrados em Botucatu neste ano envolverem mulheres idosas não significa que as abelhas ataquem preferencialmente pessoas mais velhas. O que os estudos mostram é que, quando ocorre um acidente, idosos apresentam maior risco de evolução grave e morte.

Uma análise nacional de acidentes com abelhas no Brasil, utilizando dados do Ministério da Saúde entre 2009 e 2019, identificou os idosos como o grupo com maior taxa de letalidade. Entre as possíveis explicações estão doenças cardíacas, renais e respiratórias preexistentes, que podem agravar os efeitos de uma grande quantidade de veneno.

Além disso, ataques de enxames podem envolver dezenas ou centenas de ferroadas. Segundo o Ministério da Saúde, múltiplas picadas podem provocar intoxicação sistêmica, com risco de insuficiência respiratória, lesões musculares, alterações renais, choque e morte. Pessoas alérgicas podem desenvolver reações graves mesmo após poucas ferroadas.

As abelhas africanizadas também não atacam simplesmente pela presença de uma pessoa. Elas apresentam comportamento defensivo principalmente quando percebem ameaça à colmeia. Barulho intenso, vibrações, podas, obras e tentativas de retirar ou eliminar um enxame podem desencadear uma reação coletiva. As primeiras abelhas que atacam liberam substâncias que estimulam outras a investir contra o mesmo alvo.

Época aumenta presença de abelhas

Nesta época do ano, a Vigilância Ambiental recebe muitos chamados relacionados às abelhas em árvores e plantas em floração. Uma das espécies que costuma atrair grande quantidade desses insetos em Botucatu é a aroeira-salsa, também conhecida como aroeirinha, chorão ou pimenteira.

Quando estão apenas visitando flores, as abelhas buscam alimento e realizam a polinização e, normalmente, não há uma colmeia para ser defendida. Também podem aparecer enxames migratórios, com milhares de abelhas agrupadas em forma de “cacho”, que costumam permanecer por algumas horas ou até dois dias antes de procurar outro abrigo.

O maior risco ocorre quando existe uma colônia já instalada, com favos, alimento e crias, principalmente em forros, vãos de paredes e muros, caixas de inspeção, ocos de árvores e objetos abandonados.

A recomendação da VAS é não jogar água, não utilizar inseticidas, não colocar fogo e não tentar retirar o enxame. Em caso de ataque, a orientação é afastar-se rapidamente, proteger rosto e cabeça e procurar um ambiente fechado.

Em Botucatu, a Vigilância Ambiental em Saúde pode ser acionada pelo (14) 3811-1609, de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 17h. Fora desse horário, aos finais de semana e feriados, o contato deve ser feito com a Guarda Civil Municipal pelo 153.