Um dos coordenadores do estudo de vacinação em massa contra a dengue realizado em Botucatu (SP) afirmou nesta segunda-feira (8) que não foram registrados casos graves entre os participantes da pesquisa e que as pessoas imunizadas na cidade podem ficar tranquilas após a suspensão preventiva da vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan.

A suspensão foi anunciada pelo Ministério da Saúde após o registro de duas mortes suspeitas e outros eventos adversos graves que estão sendo investigados. Até o momento, não há comprovação de relação entre os casos e a vacina.

Segundo Carlos Fortaleza, médico infectologista, professor da Faculdade de Medicina da Unesp e um dos coordenadores do estudo em Botucatu, os eventos graves analisados pelas autoridades de saúde são extremamente raros e não foram identificados entre os participantes do estudo realizado no município.

“Não houve nenhuma internação e não houve nenhum caso grave, muito menos morte, por conta da vacina. Nenhum dos vacinados chegou a evoluir de forma ruim”, afirmou.

Carlos Magno Castelo Branco Fortaleza, um dos coordenadores do estudo em Botucatu (Foto: TV TEM/Reprodução)

Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina Butantan-DV é a primeira do mundo contra a dengue aplicada em dose única e a primeira produzida integralmente no Brasil.

Botucatu foi uma das três cidades escolhidas pelo Ministério da Saúde para participar do estudo de efetividade da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, em parceria com a Unesp. Cerca de 40 mil pessoas, com idades entre 15 e 59 anos, receberam o imunizante durante a pesquisa.

De acordo com o coordenador, por se tratar de um estudo científico, os participantes foram acompanhados de forma mais detalhada do que em uma campanha convencional de vacinação.

Após surgirem relatos de possíveis casos graves em outros municípios, o Ministério da Saúde solicitou uma nova revisão dos dados coletados em Botucatu.

“Passamos novamente um pente-fino sobre os casos e podemos dizer de maneira muito tranquila que não houve casos graves aqui no município. [Os vacinados] podem ficar tranquilos”, afirmou Fortaleza.

Vacinação em massa contra a dengue em Botucatu foi realizada em janeiro (Foto: Adriano Baracho/TV TEM)

Ele explicou ainda que os eventos adversos graves investigados ocorreram poucos dias após a aplicação da vacina, geralmente entre o sexto e o décimo dia após a imunização.

“As pessoas que se vacinaram há mais tempo que isso não estão sob esse risco dos supostos casos graves”, disse.

Fortaleza destacou que a suspensão temporária da vacinação demonstra o rigor dos protocolos de segurança adotados pelas autoridades sanitárias.

“Isso mostra o cuidado que se tem quando uma vacina nova é introduzida. Mesmo sendo eventos muito raros, a investigação é necessária para garantir a segurança da população”, afirmou.

Em nota, a Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB) da Unesp informou que não foram identificados eventos adversos graves, internações ou óbitos entre as cerca de 40 mil pessoas vacinadas no município.

A instituição afirmou ainda que acompanha atentamente as diretrizes do Ministério da Saúde e ressaltou que procedimentos de monitoramento como esse são comuns na avaliação de imunizantes recentemente introduzidos, representando uma medida padrão de segurança e cuidado com a população.

Botucatu recebeu vacinação em massa da dengue (Foto: TV TEM/reprodução)

Além de Botucatu, Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) foram escolhidos pelo Ministério da Saúde para participar da estratégia nacional de vacinação em massa contra a dengue.

A escolha de Botucatu levou em consideração a experiência do município em campanhas de vacinação em larga escala, como o estudo realizado durante a pandemia de Covid-19 para avaliar a efetividade da vacina AstraZeneca.

Suspensão em todo o país

O Ministério da Saúde informou que cerca de 500 mil doses da vacina contra a dengue foram aplicadas até 30 de maio. Desse total, 417 mil foram destinadas a profissionais de saúde.

Entre os vacinados, foram registradas 3.703 notificações de eventos adversos, o equivalente a 0,7% do total. Desses registros, 42 foram classificados como graves e seguem sob investigação.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, três casos graves, incluindo dois óbitos, estão sendo analisados, mas ainda não existem evidências suficientes para estabelecer uma relação causal entre a vacina e os eventos registrados.

Em nota, o Butantan informou que seguirá a orientação do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), suspendendo temporariamente a aplicação do imunizante enquanto os casos são reavaliados.

Segundo o Ministério da Saúde, quem foi imunizado deve ficar atento a sintomas como:

  • Febre
  • Dor abdominal intensa e contínua
  • Vômitos persistentes
  • Tontura
  • Sangramentos
  • Sonolência intensa
  • Irritabilidade
  • Sinais de desidratação
  • Piora do estado geral

Diante desse cenário, a pasta recomenda que quem tomou a vacina nos últimos 21 dias deve fazer um acompanhamento em uma unidade de saúde local para observar se haverá ou não reações adversas.

A pasta reforçou ainda que quem foi imunizado segue protegido contra a dengue.

Fonte: G1