A vacinação infantil começa praticamente junto com a vida. Ainda ao nascer, a criança recebe as primeiras doses previstas pelo Calendário Nacional de Vacinação e inicia uma trajetória de proteção contra doenças que, durante décadas, deixaram de fazer parte da rotina de muitas famílias justamente graças à imunização.

Em Botucatu, porém, a baixa adesão a algumas vacinas tem acendido um sinal de alerta. O exemplo mais recente é o sarampo: a Secretaria Municipal de Saúde informou que acompanha seis casos suspeitos da doença. Todos ainda estão em investigação e, até o momento, não há confirmação. Como prevenção, equipes já identificam contatos e realizam bloqueio vacinal de acordo com a situação de cada pessoa.

O cenário reforça uma preocupação que não se restringe ao sarampo. Em comunicado anterior, a própria Secretaria de Saúde apontou baixa cobertura para as vacinas contra sarampo e febre amarela e advertiu que coberturas abaixo do esperado podem favorecer a reincidência de doenças.

Os índices da vacinação contra a gripe também ajudam a mostrar a dificuldade de adesão. Em junho deste ano, apenas 28,05% das crianças do público prioritário haviam recebido a vacina contra a Influenza em Botucatu. Entre todos os grupos prioritários, a cobertura naquele momento era de 45,73%.

É nesse contexto que a Prefeitura lançou a série “Caminhos da Saúde – Imunização”, explicando quais vacinas acompanham a criança desde o nascimento e contra quais doenças elas oferecem proteção.

Proteção começa ao nascer

As primeiras vacinas previstas são contra hepatite B e a BCG. Enquanto a primeira protege contra a hepatite B e, consequentemente, a hepatite D, a BCG é especialmente importante contra formas graves e disseminadas da tuberculose.

A partir dos dois meses, o calendário se amplia. Entra a pentavalente, que reúne proteção contra difteria, tétano, coqueluche, infecções provocadas pelo Haemophilus influenzae tipo b e hepatite B.

Também começam as doses da VIP, contra a poliomielite, popularmente conhecida como paralisia infantil, além da vacinação contra rotavírus e doenças pneumocócicas.

Nos meses seguintes, são incluídas ainda as vacinas meningocócicas. A meningocócica C começa no primeiro ano de vida e, aos 12 meses, a meningocócica ACWY amplia a proteção para outros sorogrupos.

Sarampo entra no calendário no primeiro ano

Aos 12 meses, a criança recebe a primeira dose da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. A segunda dose é prevista aos 15 meses.

A importância desse imunizante ganha ainda mais evidência diante da investigação atualmente realizada em Botucatu. A Secretaria de Saúde reforça que o sarampo é altamente transmissível e que a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção.

Além do sarampo, o calendário infantil inclui proteção contra doenças como poliomielite, coqueluche, meningites, hepatites, febre amarela, catapora, influenza e Covid-19.

Aos quatro anos são aplicados novos reforços de algumas dessas vacinas. Já aos nove anos, começa a proteção contra o HPV, atualmente em dose única para a faixa etária prevista no calendário.

Doenças que deixaram de ser vistas não desapareceram necessariamente

O fato de determinadas doenças terem se tornado raras pode criar uma falsa sensação de que a vacinação deixou de ser necessária. O princípio é justamente o contrário: a manutenção de altas coberturas é uma das barreiras que impede que doenças preveníveis voltem a circular com força na população.

A Prefeitura já havia alertado que sarampo e febre amarela apresentavam baixa cobertura e risco de reincidência diante da circulação ou importação de casos.

Por isso, pais e responsáveis não precisam memorizar todas as siglas e intervalos. A recomendação é conservar o Cartão de Vacinação e apresentá-lo periodicamente nas unidades de saúde para que os profissionais identifiquem doses atrasadas e orientem a atualização do esquema. A rede municipal informa que as vacinas do Calendário Nacional estão disponíveis conforme a idade e a situação vacinal.

Dia D será neste sábado

Botucatu realiza no próximo sábado, 22 de agosto, o Dia D da Multivacinação. Todos os postos de vacinação estarão abertos das 8 às 17 horas para avaliação das carteirinhas e aplicação das doses indicadas.

A orientação é para que pais e responsáveis levem as crianças e o Cartão de Vacinação, mesmo quando houver dúvida sobre quais doses estão faltando.

Em um momento em que o município investiga possíveis casos de uma doença altamente transmissível como o sarampo, a mensagem ganha ainda mais peso: vacinas esquecidas na carteirinha podem significar espaço para doenças que já deveriam permanecer longe da infância.