“Eu vou pagar a conta do analista pra nunca mais ter que saber quem eu sou…”, Cazuza, grande poeta, em “Ideologia”
Siiiiiiimmm, eu quero uma pra viver!

Acordei em Maio.
Uauuuuu, “o tempo não para, não”.

O céu está tão azul que chega a doer os olhos de ressaca.
Comer e tomar banho pra renascer.

Tenho uma aventura pra contar sobre hoje, 1º de Maio.

Sempre fui uma pentelha. Meu pai me deu jornal pra ler com 7 anos.
Minha tia Dolores, junto com a Tiá, me fizeram ler com 5 anos! Pooooorraaaaaaa.
Me tornei a chata que me orgulho de ser.
Sim. Me orgulho. Sou exigente e ponto.

Então.
Eu tinha 12 ou 13 anos, não lembro bem. Sei que era primeiro de maio.

Sabe aquele lance do romantismo? Que aprendemos no ginásio? Pois é.

O lance lá em casa parecia um drama.
Resolvi cair fora.
Lembro que tinha dois dinheiros da época ( acho que, em 59 anos já perdi uma dúzia de zeros), e, com dois dinheiros, resolvi que”deu pra mim, vou pra Uberaba morar com a minha avó!”.
Conversei com a minha amiga Todi Nóbrega e decidimos, do alto de nossos 12 ou 13 anos, que sim! Eu devia seguir meu caminho.
Por um desvão do destino, sempre fodástico, acabamos indo, no primeiro de maio de então,  pro Rio Bonito com amigos.
Era o tempo da travessia.
O evento top da natação.
Enfim… fomos parar no bar da balsa onde, com os amigos da carona, sentamos numa mesa de amigos DO MEU PAI.
Que me trouxeram de volta pra casa.
Onde levei a única surra da minha vida.
Claro que eu tinha deixado uma carta.
Afinal eu estava estudando romantismo nas aulas de literatura.
Papai sofreu por me bater.
Eu chorei, fiquei marcada.
Mas entendi que:
– as relações dos outros não são problema meu
– filhos são problemas dos pais
– bater em filhos é um horror
– apanhar de pais é um horror
– relacionamentos ruins tem que acabar antes que algum filho escolha sair de casa
– familia é a dor e a delícia de ser o que é.

Eu me meti numa história que não era minha. Era deles. Mesmo eu sendo filha.

(Anos depois me deu a chance de ser mãe do Diego e me fez assumir minha vida.
Sem nunca deixar de ser duro e incisivo.
Cobrou postura.
Agradeço.

Ele se meteu numa história que não era dele, era minha.
E ele era meu pai.)

Pessoas, ressaca é um castigo terrível.
Mas ontem a noite foi tãotão gostosa, boas conversas, boa música, o luar…e cervejas geladas.

Cantei pra subir, literalmente.
Primeiro Péricles, depois Diogo Nogueira.

A estrelizia está com 6 lindos botões. O tomate também com 6.
Dei um trato nas plantas bem devagar.

Meu irmão André passou por aqui, elegante e tranquilo. Te amo irmão.
Meu irmão Erik e Mari me deixaram com mais saudades com suas fotos a beira da piscina.

“E é tão bom cantarolar..”

Conversar com a Laninha e aprender com a sua lucidez.
Conversar com a mamãe e dar risada de suas risadas.
Conversar com Gardin e poder falar que amo e estou com saudades.
Conversar com Sandra e atualizar nossas aflições comuns.

E muita gastronomia, huuuummmm, todos adoramos cozinhar.

Amigos são tudo de melhor.

Hoje será almoço “libanês”.
Lentilhas com lombo, calabresa e bacon.

Agradeço muito aos libaneses.
Eles melhoraram muito nosso cardápio.

Tenho muitos amigos “brimos”, desde sempre.
Meu avô Ismael era primo de sangue do Dr. Jairo Gabriel.
Papai era muito amigo da família Cury e Jamil padrinho do meu irmão Erik.

Os almoços na casa do seo João Cury, ahhhhhh, inesquecíveis. Chego a salivar.

Adriana e eu não nos relacionamos há décadas. Mas, com ela e a amada Fernanda Chamma vivi histórias deliciosas.
Seo Elias era muito bacana e dona Celina e papai se conheceram na juventude, em Piracicaba.
Onde meu pai teve uma namorada antes de ir pra Uberaba e conhecer minha mãe. A namorada era… libanesa.

Aliás, em Anhembi, são muitas famílias.
A do tio Pomba, a da Cau, e muitas outras que o tempo fez esquecer os nomes mas não dos rostos.

As queridas gêmeas Samira e Sumaia Saleh.
A amizade do André com o George me deu essa herança.
Adoro.
A Sumaia uma verdadeira chef, só delícias.
Samira, exótica das artes marciais.
Queridas.

Tem as lindas irmãs Raphael, Cris e Cissa. Empreendedoras, artistas, engajadas. Mulherérrimas.

Tem poeta cultissima, Virginia, também chef, artista de variadas nuances.

E tem culturete poderosa, Cris.
E a dentista Raquel.
Duas mulheres lindas, filhas da linda Georgette de sorriso inesquecível.

E tem a Lili do meu coração.
Eliane Chaguri é uma amiga que não tenho como descrever. Só posso dizer que está na minha vida e na dos meus filhos tatuada com amor.
É das mais generosas pessoas que conheço.
E uma chef incrível.

Uma mulherada raçuda, porreta, umas lindas. Sou muito fã. E agradeço a honra e o prazer de ter vocês na minha história.

E tem o meu sonho de conhecer as terras de lá.

Chancliche, coalhada seca, carneiro, doces de amêndoas e mel, kibe crú, ahhhhhh, quero tudo.
E os temperos? Adoro.

“Cantar sempre que for possível
Saber que nem tudo é perdido…”

A rede na varanda, a música que vem de dentro da casa, lado esquerdo, os passarinhos trinando numa alegria, lado direito, o céu azul.
Como é divino poder escolher que rumo dar ao meu dia.
O resultado vem tão bom, a ressaca já era, estou esperançosa e quase feliz.
Até dancei.

Todo o bem que vem de vocês me fortalece, queridos!

” 🇮🇷 TEU LÍBANO E O MEU🇮🇷

Tens o teu Líbano e tenho o meu.
O teu é o Líbano político, com seus problemas.
O meu é o Líbano natural e todas as suas belezas.
Tens o teu Líbano, de problemas e disputas; tenho o meu, de sonhos e esperanças.
Contenta-te com o Líbano da tua realidade, como eu me alegro com o Líbano da minha miragem.
Teu Líbano é um feixe de grunhidos políticos, que o Tempo se esforça por desatar;
Meu Líbano é uma cadeia de montanhas e colinas, elevando-se, reverente e majestosamente, na direção dos céus azuis.
Teu Líbano é um problema internacional a ser resolvido;
Meu Líbano é calmo, de vales encantados e cheio dos murmúrios de sinos de igrejas e sussurro de riachos.
Teu Líbano é uma contenda entre um senhor do Oeste e um adversário do Sul;
O meu é uma só montanha, serena, assentada entre o mar e as planícies, como um poeta entre uma eternidade e outra.”
De Gibran Khalil Gibran

Então, pessoas, hoje é o dia do trabalhador.
Nesse 2020 as homenagens são todas pros que estão lá fora fazendo por nós, que arriscam suas vidas por nós, que enfrentam o preconceito de pessoas enganadas por um desgoverno maligno.

Um salve bacana pra todos vocês.
Gratidão.

#fiqueemcasa

Por favor.

Resistiremos.
Seguimos