Domingo lindo, pascal e azul.
Muito fresquinho, bom pra ficar sentada ao Sol, no quintal.
Música boa no Baú do Fofat, amigos sintonizados, uma grande rede de boas energias e vibrações.

Moro em frente a paróquia do Santíssimo Sacramento.
Todos os vizinhos na calçada em frente suas casas, os frequentadores da igreja em seus carros, aguardando a passagem do Santíssimo.
Sem procissão.
Todas as bençãos são bem vindas, como disse Laura.
E se é pro bem… gratidão.

Falar com a mamãe, falar com meus filhos, siiiiiiimmm!
Foi muito booooommm!
Sempre é.

Acabou que me enrolei relendo as
“Intermitências da morte” de José Saramago.
Li dois livros em que a morte é a narradora. Esse e “A menina que roubava livros”, ambos muito envolventes.

E fiquei curtindo o dia, e depois a tarde e a noite chegaram.

E é domingo de Páscoa.
E estamos isolados.

Estou sozinha na minha casa.

No livro Saramago conta sobre um país onde a morte se aposenta. Cansou. Deu pra ela.
“Momentos de fraqueza na vida qualquer um de nós poderá ter, e se hoje passamos sem eles, tenhamo-los por certo amanhã.”

Aí eu levei o dia sem finalizar o esperado.

Fiquei lendo na rede.
Finalizei o lombo.
Perdi o apetite.

Seja por conta da releitura, seja por conta das reflexões que vieram… perdi a fome.

As pessoas estão passando fome.
As pessoas estão passando necessidades.

O planeta está em agonia.

Enquanto estou aqui, na varanda do quintal, tem pessoas batendo cabeça sem saber o que será amanhã.

Fiquei muito brochada.

Tanto que, lombo pronto, nem almocei.
Continuei a ler.
Dormi.
Sono intermitente.

Já é noite.
Estou fazendo o arroz.
Os números tristes estão gritando na tela da tv.
Os números felizes são apáticos.

O calendário, as horas, invenções do homem.
Tão entranhados no viver que ignorar requer muito esforço, desapego, aprendizado.

É domingo de Páscoa.
Noite de outono.
Passei o dia lendo.
Saramago me deu o grau da loucura do viver nesse 2020.

Tempos estranhos.

São 1233 mortes pelo Covid 19, no Brasil.

Invento apetite pra jantar o almoço de Páscoa.
Estou bem.
Minha família e amigos queridos estão bem.

Não me sinto absolutamente contente.
Posso dizer, nem um pouco contente.

O percentual de pessoas que estão respeitando, e acreditando, no isolamento social está diminuindo.
Os números tristes estão aumentando.

As campanhas e o voluntariado solidário, ahhhhhh que lindos.

Mas o medo não é o sentimento geral.

O ser humano imponente, impertinente, teima em ganhar.

Nunca mais será igual.
Nada será igual.
Estamos reinventando a nós mesmos.

E a vida está aí, aqui e acolá.

#fiqueemcasa

Seguimos.