Madruguei na tv.
Tinha dormido na tardezinha, desandou o sono.
Séries.

Acordei animada.
Está mais quente, o clima, e isso muito me agrada.
Me tornei solar com o passar dos anos. Notívaga, agora, só em casa.

Café da manhã, bons dias.
Falei com a mamãe e, então, ahhh…dona Glória de paladar restrito! Enfim.

A caminhada, ouvindo o Baú do Fofat, tradição do domingo.
O bacana é que, aqui no meu bairro e arredores, o hábito de cumprimentar é forte. E muito agradável.
Além de ser um bairro lindo, com muitas praças, áreas verdes e jardins. Sem contar o visual, uauuuuu!

Quase 18 anos que estou por aqui.
Em casa, iogurte de frutas.
Cuidei das plantas e preparei uns quitutes pra levar pro churras no meu irmão.

Não vou na casa deles desde 14/03!
Como foi aniversário da cunhada, salada de grão de bico com frango, que ela adora, marmitinhas de sopa e compota pro plantão, batatas com alecrim, que meu irmão adora, rúcula do quintal e tablete de linguiça de pernil do mercado Magu, que todos adoramos, e cervas, claro.
Lendo um tanto na rede, me emocionei.
Eduardo Fofat fez uma dobradinha com Freddy Mercury.
A primeira foi uma música que já postei nesse diário, Las palabras de amor.
E a segunda foi essa, do meu bem querer profundo.

E foi assim, totalmente feliz e bem intencionada, que fui pra casa dos amores André, Márcia e Davi.

Aliás, vale registrar a frase da mamãe, que estava lá:
– Eu jamais faria isso com o Davi!
Querendo dizer sobre o convite dele pro churras, que, aliás, ela não come.
Mas teve nhoque pra bunita.
Davi aprendeu direitinho com o pai, meu irmão André.
A fraldinha estava deliciosa, assim como as outras carnes.
Minhas saladas também foram apreciadas, meu irmão adorou e devorou as batatas.
Ganhei laranja kinkan confit da cunhada, mel da produção do Canto do Lago, dos queridos Nilson Antunes e Márcia Vieira.
E, ainda, uma nova sugestão pra um clássico da família, que farei amanhã. Aguardem.

Reunião de parte da família, a primeira em mais de 2 meses, ahhhhhh, pessoas! Como estou feliz, exultante, completa, acarinhada, plena.

Sigo disposta a manter meu universo particular.

Mesmo assim não escapei das notícias tristes do Brasil desgovernado.

Minha couraça gritou.
Parece que tudo caminha pra violência e sinto muito medo do que pode vir.

A pandemia está perdendo para o PanDemônio.
A política sobressaindo as milhares e milhares de vidas perdidas, contaminadas, famélicas e desvalidas.

Reafirmo.
Sou privilegiada pela minha condição simples, que nesse momento parece um luxo.
Sou privilegiada pela cidade em que moro, mesmo sendo, aqui, um ninho de apoiadores do eleito.
Mas nossa cidade tem administração e não legenda e, isso, por si só, é um conforto gerador de confiança e tranquilidade.
Sou privilegiada por ter família e uma rede de afeto que me supre intimamente.

Mas sou uma cidadã com opinião, crítica e cultura suficiente pra sentir medo.

A história é cíclica, como a Roda de Tao, que gira, gira, gira e sempre para no mesmo lugar.

” Uma autobiografia também é uma ficção entre muitas possíveis. Mas procure ser o mais verídico possível, que seja possível ver você de verdade. E a mim, se possível, de mentira.”
Raul Escari, escritor argentino falecido em 2016 e amigo do Villa-Matas.

Resistiremos.

Seguimos.