Noite enevoada, céu um tanto roxo, um chuvão que limpou.

E acordei com o céu azul, nuvens esfiapadas, outro astral. Domingo.

Baú do Fofat.
Cheia de fome, café da manhã bem queijento.
Bons dias bons.
Combinações com a mamãe.
Tão linda a manhã que dancei na varanda.

Me troquei, alonguei e fui caminhar.
Sol forte, passos largos, caminhei nadando peito, respirando fundo pra pegar impulso.
Ahhhhhh, quantas saudades de sentir a água me envolvendo!
Em casa.

Saladinha de banana, kiwi e iogurte.
Amarrei o tomateiro.
Decidi preparar delícias libanesas.
Colhi hortelã.
Quibe com queijo pra assar.
Quibe cru.
Tabule.
Cervejas na geladeira.
Tudo pra combinar com esse domingo espetacular.

Baixei mais uma caixa.
10 pastas de recortes no ano 2000!
Conversando com a cunhada, decidi.
Vou guardar apenas o que escrevi.
E foram embora, também, agendas e mais agendas.
Bilhetinho da Maria Clara, começando a escrever. Fica!

Primeiros sapatinhos meus, do Diego e do Lucas, fica sim!
Muita emoção ao encontrar a foto de despedida do Marco Castanheira.

E convites pra estréia de peças teatrais que Lucas atuou.
E poemas da Ana Cristina César, ahhhhhh….

Quantas delícias nesse domingo.
Felizfeliz dimaaaaiiiissss!
Almoço presente virtual pra você, amiga lindaaaa e muito amada.


Estamos juntas desde pequeninhas.
E o tempo não mudou nada no afeto e carinho entre nós.
Sandra, meus desejos de tudotudotudo de divino e maravilhoso sempre, aventuras e alegrias, emoções e tesões, vida longa querida!
Essa música é pra lembrar da sala da casa da sua família, aquele som mega super do tio Pedro….

Almocei gostoso.
Primeiro o kibe crú, depois o tabule e finalmente o kibe assado.
Que delícia!

Como também está delicioso esse dia de imersão, de lembranças e quetais.
Estou surpresa comigo mesma, sem dor e muito fortalecida por ter tomado a atitude tantas vezes adiada.
Porque pensei que sofreria dimaaaaiiiissss, só que não.
Me emociono a cada coisa, sim.

Mas…o que fica mesmo são as memórias que posso escolher ter, o que tem importância ímpar.
E é isso.

Três da tarde.
Banho e roupas quentinhas pra sombra da varanda.
Leitura na rede.

“Quem conhece a arte de estar consigo mesmo nunca se aborrece.”
Erasmo de Roterdã, filósofo humanista.

“Se aborrecer é comer o tempo.”, Enrique Villa-Matas.

Existe muito prazer na solitude.
É uma questão de escolha, de prática e de circunstâncias.

O Brasil que me representa foi pras ruas em muitas cidades.
Pela democracia, pelas vidas, contra o racismo, o desgoverno e o horror que é a falta de empatia e de atuação com relação a pandemia.
Protestos pacíficos.
Sem infiltrados do mal.
Filtros nas janelas.

Cai a tarde.
Dia bacana, tudo bem, tudo bom.

“De volta ao futuro

Em matéria de previsão eu deixo furo
Futuro, eu juro, é dimensão
Que não consigo ver
Isto porque, no lusco-fusco
Ora pitomba,
Minha bola de cristal fica fosca
Mando bala no escuro
Acerto um tiro na boca da mosca
Outras tantas giro a Terra toda às tontas
Dobro o cabo das Tormentas, rebatizo Boa Esperança
E vou pegando pelo rabo a lebre de vidro,
Do acaso por acaso
Em matéria de previsão só deixo furo
Futuro, eu juro, é dimensão
Vejo bem no claro
E tão mal no escuro
Minha vida afinal navega tal e qual
Caravela de Cabral
Um marinheiro mete a cara na janela e grita
Sinal de terra, terra à vista
Tanto faz, Brasil ou Índia Ocidental, Oriental
Ó sina, começa sempre a dança
Recomeça, sempre recomeça a dança da sinuca
Sempre recomeça a dança a mesma dança da sinuca vital.”
Wally Salomão

Pra terminar o dia como comecei, dançando, escolhi o maestro Barry White.

Resistiremos.

Seguimos.