A discussão sobre educação financeira e previdenciária ganha relevância crescente no Brasil diante do aumento da longevidade da população, das transformações nas relações de trabalho e dos desafios relacionados à sustentabilidade da previdência pública. Especialistas e instituições ligadas ao tema defendem que o debate sobre planejamento financeiro de longo prazo deixe de ocorrer apenas na vida adulta e passe a integrar, cada vez mais, o ambiente escolar.
Dados recentes reforçam esse cenário. Segundo levantamento da Serasa, mais de 80 milhões de brasileiros estão endividados atualmente. Já a pesquisa Raio X do Investidor Brasileiro, da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), aponta que 84% das pessoas não aposentadas ainda não começaram a formar uma reserva financeira para a aposentadoria. O estudo também mostra que 60% da população economicamente ativa pretende depender da previdência pública no futuro.
Nesse contexto, o projeto "Poupadores do Futuro" realiza sua segunda edição durante a 13ª Semana Nacional de Educação Financeira (Semana ENEF), que acontece entre os dias 18 e 24 de maio. A iniciativa é promovida em parceria entre o Ministério da Previdência Social, a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) e a Universidade Corporativa da Previdência Complementar (UniAbrapp).
Em 2026, o projeto mobiliza mais de 60 Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPCs), que realizarão atividades educativas em escolas públicas e privadas de diferentes regiões do país. A proposta é aproximar crianças, adolescentes e jovens de temas ligados ao consumo consciente, organização financeira, planejamento de longo prazo e cultura previdenciária.
A iniciativa ocorre em um momento em que cresce o debate sobre a necessidade de ampliar o acesso da população à educação financeira desde as fases iniciais da formação escolar. Para entidades ligadas ao setor, a ausência desse debate contribui para dificuldades futuras relacionadas ao endividamento, à falta de planejamento e à dependência exclusiva da previdência pública.
Para o diretor-presidente da Abrapp, Devanir Silva, os indicadores revelam a necessidade de ampliar o debate sobre planejamento financeiro desde as etapas iniciais da formação educacional.
"Os números mostram que o Brasil ainda enfrenta uma lacuna importante quando o assunto é planejamento de longo prazo. Não podemos considerar normal que grande parte da população chegue à vida adulta sem qualquer preparação financeira para o futuro ou dependa exclusivamente da previdência pública. Levar educação previdenciária para crianças e jovens é uma ação de impacto social, que contribui para formar cidadãos mais conscientes, preparados e capazes de tomar decisões financeiras mais sustentáveis ao longo da vida", afirma.
Segundo Devanir, a proposta também busca aproximar conceitos tradicionalmente vistos como complexos da realidade cotidiana dos jovens, criando uma relação mais prática e acessível com temas ligados a consumo consciente, organização financeira e construção de patrimônio.
"Assegurar que crianças e jovens tenham contato desde cedo com conceitos de planejamento financeiro e previdenciário é contribuir diretamente para a construção de uma sociedade mais preparada para o futuro. A educação financeira e previdenciária amplia a capacidade de escolha das pessoas e fortalece uma cultura de responsabilidade e organização das finanças", diz.
As atividades previstas incluem oficinas educativas, jogos interativos, dinâmicas presenciais e conteúdos pedagógicos segmentados por faixa etária. Como apoio às ações, a Abrapp e a UniAbrapp disponibilizarão gratuitamente materiais como videoclipes educativos para crianças, jogos voltados ao ensino fundamental, apresentações direcionadas ao ensino médio e graduação, além de planilhas de controle financeiro e conteúdos adaptáveis para escolas e famílias.
Com a ampliação do número de entidades participantes em 2026, o "Poupadores do Futuro" passa a consolidar uma atuação nacional mais estruturada dentro da agenda de educação financeira e previdenciária, associando o setor de previdência complementar a iniciativas de formação cidadã e impacto social.














