A obesidade é caracterizada como doença crônica associada ao acúmulo excessivo de tecido adiposo, envolvendo fatores genéticos e ambientais que influenciam o ganho de peso. O diagnóstico considera índice de massa corporal igual ou superior a 30, obtido pela divisão do peso pela altura ao quadrado. De acordo com informações do portal do Governo Federal, cerca de 54% da população brasileira apresenta excesso de peso, entre sobrepeso e obesidade.
O Brasil está entre os países com as maiores taxas de obesidade no mundo, e a condição figura entre as doenças que mais crescem no país, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM). Dados de 2024 do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) indicam que 34,66% da população apresenta algum grau da condição, com aumento contínuo em relação aos resultados registrados desde 2020.
O Dr. Guilherme Bonelli, médico pós-graduado em nutrologia e endocrinologia, aponta que diferentes fatores fisiológicos influenciam o ganho e a perda de peso no organismo. "O peso corporal é regulado por uma interação complexa entre balanço energético, gasto metabólico, apetite, composição corporal, hormônios, inflamação, qualidade do sono, nível de atividade física, genética e ambiente alimentar".
De acordo com o médico, o sistema hormonal tem papel central na regulação do peso, influenciando apetite, gasto energético, composição corporal, retenção de líquidos, distribuição de gordura e preservação de massa muscular. Além disso, hormônios como insulina, leptina, grelina, cortisol, tireoidianos e sexuais, como testosterona e estradiol, podem interferir diretamente na fome, na sensibilidade à insulina e na capacidade do organismo de oxidar gordura.
O sono insuficiente ou fragmentado está associado a maior risco de obesidade, pior regulação do apetite, aumento da ingestão calórica, pior controle glicêmico e maior dificuldade de adesão a hábitos saudáveis. "Privação de sono, por exemplo, está associada a alterações em leptina e grelina, favorecendo aumento da fome e redução da saciedade, o que impacta diretamente o balanço energético", explica.
Dr. Guilherme Bonelli acrescenta que o estresse crônico pode dificultar o controle do peso, por influenciar o cortisol, aumentar o apetite hedônico e favorecer a busca por alimentos mais palatáveis, o acúmulo de gordura abdominal e a piora da sensibilidade à insulina. A saúde intestinal, por sua vez, impacta o metabolismo, a inflamação e os sinais hormonais e neurais ligados à fome, saciedade e armazenamento de energia.
Respeito ao metabolismo individual
Um estudo publicado na National Library of Medicine aponta que o tecido adiposo atua ativamente no metabolismo, liberando hormônios que influenciam diferentes órgãos e sistemas. Produzidas pelas células de gordura, essas substâncias participam do controle do gasto e do armazenamento de energia, além de processos inflamatórios, ajudando a explicar por que o ganho de peso e a dificuldade de emagrecer variam entre indivíduos.
O Dr. Guilherme Bonelli reforça que o estado hormonal atual do paciente é determinante para o sucesso do processo de emagrecimento, especialmente quando se considera a capacidade de preservar massa muscular, manter o gasto energético e evitar adaptações metabólicas negativas. Para o médico, é a individualização que diferencia um emagrecimento temporário de um projeto metabólico de longo prazo.
"Não existe fórmula pronta, dieta universal ou protocolo que sirva igualmente para todos. O tratamento eficaz precisa considerar quem é o paciente, como está seu metabolismo naquele momento, qual é sua regulação hormonal, qual é sua rotina, quais são seus gatilhos, que tipo de padrão alimentar consegue sustentar, como está sua composição corporal e quais correções precisam ser feitas ao longo do caminho", afirma.
Plano e acompanhamento estruturado
Segundo o especialista, o emagrecimento deve ser encarado como um projeto terapêutico completo. Isso inclui avaliação clínica minuciosa, composição corporal, análise de sintomas, rotina, sono, padrão alimentar, nível de estresse, exames laboratoriais e entendimento das individualidades metabólicas e hormonais do paciente.
O Dr. Guilherme Bonelli explica que, a partir disso, é possível estruturar uma estratégia que não se limita à restrição calórica, mas envolve correções metabólicas, ajuste da rotina, organização do sono, manejo do estresse, suporte nutricional, preservação de massa magra e, quando indicado, uso de medicamentos complementares.
Ele destaca que a manutenção da massa muscular e a regulação hormonal ao longo do processo de emagrecimento são fundamentais para evitar o efeito rebote. "A perda de massa magra reduz o gasto energético basal e favorece a recuperação do peso. Da mesma forma, alterações hormonais não corrigidas podem aumentar a fome, reduzir a saciedade e dificultar a manutenção dos resultados".
Para o médico, o tratamento da obesidade deve ser conduzido em etapas, com acompanhamento e reavaliações estratégicas. "O emagrecimento é um processo dinâmico. O organismo se adapta, o metabolismo responde, os hormônios oscilam. Por isso, é necessário monitorar, interpretar e ajustar continuamente a estratégias para manter eficiência metabólica e preservar os resultados ao longo do tempo", aponta Dr. Guilherme Bonelli.
"O acompanhamento médico contínuo permite identificar, em tempo real, o que está acontecendo com o paciente. Se a perda de peso estagnou, se houve piora de sono, se a fome aumentou, se a adesão caiu, se houve perda de massa magra, se os exames mudaram, se há necessidade de modular treino, rever ingestão proteica, ajustar micronutrientes, corrigir hormônios, tratar compulsão, reorganizar estratégias alimentares ou indicar outras ferramentas terapêuticas", conclui o profissional.
Para saber mais, basta acessar o site do Dr. Guilherme Bonelli: https://guilhermebonelli.com.br/















