Ampliar a proteção previdenciária para os brasileiros que permanecem fora do sistema, acompanhar as mudanças nas relações de trabalho e transformar inovação em benefícios para os participantes. Essas foram as principais mensagens do 47º Congresso Brasileiro de Previdência Privada (CBPP), encerrado nesta sexta-feira (23), no Transamérica Expo Center, em São Paulo. Promovido pela Abrapp, o encontro reuniu cerca de 5 mil pessoas, presencialmente e online, durante três dias de debates sobre os caminhos para expandir a previdência complementar, preservando a governança, a confiança e a sustentabilidade dos planos.
Sob o tema "Previdência em movimento" e o lema "#PodemosMais", o Congresso discutiu como o setor pode responder a uma sociedade que vive mais, trabalha de formas diferentes e apresenta novas expectativas sobre segurança financeira e qualidade de vida. A programação abordou investimentos, longevidade, inteligência artificial, governança, comunicação e inclusão previdenciária, além de reunir 157 apresentações de boas práticas.
Na abertura, o diretor-presidente da Abrapp e coordenador-geral do evento, Devanir Silva, defendeu um projeto previdenciário de país que combine sustentabilidade financeira e ampliação da proteção social. "Não basta perguntar: quanto custa a Previdência? Precisamos perguntar: quanto custa ao Brasil deixar milhões de trabalhadores envelhecerem sem proteção?", afirmou.
Micropensões como projeto de inclusão
Principal projeto da Abrapp para ampliar o acesso à previdência complementar, as micropensões ganharam destaque como caminho para alcançar trabalhadores informais e de plataformas digitais. A proposta busca aproximar a proteção previdenciária da realidade de quem tem renda variável e permanece distante dos modelos tradicionais de contribuição.
"Estamos demonstrando que é possível conciliar inovação, flexibilidade, liberdade de escolha e proteção previdenciária", afirmou Devanir na abertura.
No encerramento, o dirigente retomou a motivação social dessa agenda: "Tem pessoas que têm vida, têm ambição e hoje não têm proteção". A mensagem reforçou o compromisso de mobilizar a experiência e a capacidade técnica do sistema para construir alternativas de proteção para novos públicos.
Ministro defende crescimento do setor
Presente na abertura do Congresso, o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, destacou que a previdência social e a complementar se fortalecem mutuamente e defendeu a expansão do setor em número de participantes, patrocinadores e instituidores.
O ministro citou iniciativas como a inscrição automática e o selo Patrocinadores do Futuro, que registrou 110 inscrições em sua primeira edição, e defendeu maior presença da educação financeira e previdenciária, inclusive nas escolas. "Avanços precisam se transformar em conquistas permanentes", afirmou.
Também na solenidade de abertura, o diretor-superintendente da Previc, Ricardo Pena, lembrou que a previdência complementar completará, em 2027, 50 anos de regulamentação, a partir da Lei nº 6.435, de 15 de julho de 1977. Ao destacar a relevância social e econômica das entidades fechadas, afirmou: "É um sistema que sabe acumular poupança e pagar benefícios e que se mostra preparado para enfrentar um novo tempo de muitos desafios, como os trazidos pela demografia".
Longevidade, confiança e transformação
O aumento da longevidade orientou as discussões sobre o financiamento de aposentadorias mais longas, autonomia e qualidade de vida. Os debates sobre jovens e futuro financeiro reforçaram a necessidade de aproximar a previdência das novas gerações e transformar preocupação em planejamento de longo prazo.
Na gestão das entidades, governança e responsabilidade fiduciária foram destacadas como fundamentos para sustentar o crescimento. "A confiança nasce da ética, da transparência, da responsabilidade fiduciária, da qualificação permanente e da capacidade de decidir pensando sempre no longo prazo", afirmou Devanir no discurso de abertura.
Ao encerrar o Congresso, o dirigente fez um balanço de evolução, inovação e compartilhamento de conhecimento, reforçando o papel da previdência complementar na construção de uma sociedade mais inclusiva. "Nós trabalhamos para formar uma sociedade mais inclusiva, mais justa, um país que é grande e precisa continuar sempre grande. E essa previdência complementar é parte dessa grandeza, é parte dessa construção", afirmou.
Entregas e próximos passos
O evento também foi marcado por entregas institucionais e regulatórias. Ricardo Pena assinou a portaria que institui o Plano Nacional de Fomento do Regime de Previdência Complementar Fechada, com 28 propostas e horizonte até 2030, para ampliar o alcance social do sistema, preservando a solidez dos planos e a proteção de participantes e assistidos. Outro destaque foi o lançamento do Guia de Melhores Práticas em Governança Corporativa, reforçando a importância da ética e da gestão de riscos.
A programação reuniu análises macroeconômicas, debates sobre critérios ambientais, sociais e de governança (ASG) nos investimentos e iniciativas de educação financeira, como o projeto Poupadores do Futuro. Os painéis também destacaram que o uso de inteligência artificial precisa estar aliado a uma estratégia sólida e a uma comunicação capaz de aproximar o setor das novas gerações.
O 48º Congresso Brasileiro de Previdência Privada já tem data marcada: será realizado de 20 a 22 de outubro de 2027.













