A menina Thalita Becker, de 9 anos, que emocionou milhões de pessoas nas redes sociais com sua história de superação, morreu neste domingo (11). O falecimento foi anunciado pelo pai, Marcos Becker, conhecido na internet por compartilhar a rotina de cuidados com a filha, diagnosticada com uma síndrome rara desde o nascimento. Thalita tinha uma ligação especial com Botucatu, cidade onde morou com a família e recebeu atendimento especializado na Apae e acompanhamento de saúde na Unesp.
Nascida em 2016, em Pirassununga, no interior paulista, Thalita tinha síndrome de bridas amnióticas, uma condição rara que provocou graves malformações na face, no crânio e no cérebro. Após o nascimento, os médicos chegaram a informar à família que a menina teria apenas algumas horas de vida, com uma expectativa máxima de nove horas.
Contrariando o prognóstico inicial, Thalita sobreviveu e enfrentou uma longa trajetória de internações, procedimentos médicos, terapias e cuidados especiais durante quase uma década.
Logo após o nascimento, permaneceu internada por 16 dias em Pirassununga, antes de ser transferida para Araras e, posteriormente, para Bauru, onde passou aproximadamente 90 dias hospitalizada. Durante esse período, precisou de procedimentos como a colocação de uma válvula para drenagem de líquido no cérebro e de uma sonda para alimentação.
A ligação com Botucatu e o atendimento na Apae
A história de Thalita também passou por Botucatu. Em junho de 2024, quando a menina tinha 7 anos, a família morava na cidade, onde buscava melhores condições de acompanhamento e tratamento.
Na época, Thalita frequentava a Apae Botucatu no período da tarde, participando de atividades como fisioterapia e musicoterapia. A menina também recebia acompanhamento especializado na Unesp e utilizava medicamentos para controlar espasmos e convulsões.
Uma fotografia daquele período mostra Thalita em sua cadeira de rodas, acompanhada do pai, Marcos, e da irmã mais nova, Mharessa, diante de um painel da Apae Botucatu.
A família passou por diferentes municípios do estado de São Paulo em busca de atendimento e melhores condições para os cuidados da menina. Mais recentemente, estava estabelecida em Limeira, onde Marcos também buscava garantir a continuidade do atendimento educacional especializado de Thalita.
História foi destaque na revista Crescer em 2024
Em junho de 2024, a história da família ganhou destaque nacional em uma reportagem da revista Crescer, que apresentou a rotina de Marcos como pai solo de duas meninas e os desafios enfrentados desde o nascimento de Thalita.
Na entrevista, Marcos relembrou o primeiro encontro com a filha, ainda na unidade de terapia intensiva. A menina estava entubada e ligada a aparelhos quando segurou um dos dedos do pai.
Para Marcos, aquele gesto representou um pedido para que ele continuasse lutando pela vida da filha. A lembrança se tornou um dos momentos mais marcantes de sua trajetória.
A reportagem também mostrou as dificuldades financeiras, as mudanças de cidade e a dedicação de Marcos aos cuidados das filhas após a separação da mãe das crianças.
Além dos procedimentos médicos, Thalita precisava de assistência permanente em atividades cotidianas, como alimentação, higiene e deslocamento. Marcos organizava a rotina da casa para acompanhar os tratamentos e também cuidar de Mharessa.
Pai conquistou milhões de seguidores mostrando a rotina das filhas
A história de Marcos e Thalita ganhou grande repercussão nas redes sociais. Por meio do perfil conhecido como Paizinho Oficial, ele passou a compartilhar momentos do cotidiano das duas filhas, os desafios dos tratamentos e as pequenas conquistas da família.
Os vídeos alcançaram milhões de pessoas e ajudaram a formar uma rede de apoio que acompanhava a trajetória de Thalita, contribuindo também para ampliar a conscientização sobre doenças raras e os desafios enfrentados por famílias de crianças com deficiência.
A relação entre pai e filha se tornou conhecida pela dedicação de Marcos, que assumiu os cuidados diários de Thalita e procurou oferecer a ela qualidade de vida, acompanhamento especializado e convivência familiar.















