Sábado, dia 217.
Choveu a noite toda.
Dia cinzento e úmido.
Tapinha na casa e orçamentos pra pintura.
A diferença de preços de uma loja pra outra, geeenteeennn!, é abusiva!
Feijão preto com carne seca e linguiça.
Séries e mais séries.
“Porque tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”, siiiiiiimmm!
Um ano da passagem de Walter Franco.

Hoje, 24 de outubro são 45 anos do dia em que Wladimir Herzog se apresentou, voluntariamente, ao Doi-Codi, do governo militar, para depoimento.
Wlado nunca mais foi visto vivo.
Era brasileiro, jornalista, judeu, diretor de tv e professor.
Em 25/10/1975 foi encontrado, enforcado.
E essa história do Brasil não pode ser esquecida, a ditadura aconteceu sim!
Salve Wladimir Herzog!

25 de outubro se tornou o Dia da Democracia.

Esse fato foi um dos que me fizeram entender o Brasil sem a venda da educação que recebia no La Salle.
Eu estava no primeiro colegial e não cabia mais no modelo.
Não mesmo.
E nunca mais caberei na imposição ditatorial e abusiva.

Domingo, dia 218.
Derrubaram a casa da dona Amara Francisca, a primeira vizinha que conheci quando mudei pra cá.
Dona Mara, como a chamávamos, e sua filha Cristina, tornaram-se muito próximas de nós.
Ela já fez a passagem há alguns anos e, agora, sua casa também não está mais na esquina.
Mas a memória é do pra sempre.

Fui treinar e foi gostoso, cada dia mais.
Encontrei amigos de raia. Todos com os olhos brilhantes de prazer.

Começando o projeto mãe de noivo.
Gratidão eterna, Carlos Alberto Gardin.
Gar, amado amigo.

Segunda-feira, dia 219.
Dormi muito cedo.
Estalei. E foi punk.
Estou muito tumultuada e insegura, mesmo sabendo que tudo vai dar certo.
É assim que sou. Horror.

Perdi a consulta.

Só café, sem fome.
Detalhes conversados.
Orçamento fechado.
Plantas pra relaxar.

Panquecas.

Muito difícil o desapego. Muitas emoções entre os guardados.
Ahhhhhhh, o SPBar, que noites e tardões, paixões e dancinhas. Saudades!

Anos depois e tãotão bom quanto, teve o Bongô.
Muitos shows, muita paquera.
Foi lá que conheci o querido notívago e burlesco Erick de Barros, com quem, mais alguns anos depois, tive o prazer de compartilhar uns palcos.

Frutas com iogurte e granola.
Hoje é noite de encontro e rodízio no Gulas e Goles, huuuummmm, só delícias de pessoas e comidas.

Agenda 1998.

Demi Moore, sobre o machismo crônico.
” Quando um homem exprime com veemência seus pensamentos e suas vontades, dizem que ele é direto, que sabe o que quer. Se uma mulher faz o mesmo é uma cadela.”
Verdade horrorosa.
07/05. Fui escolhida como funcionária homenageada da XXXI turma de Medicina.
“Andrea, você foi escolhida pela maioria, 1º lugar!, como a mais legal. A homenagem será para você!
Grupo C: Andrea, Mucosa, Popô, Lud, Dani, Bornay, Evandro, Spock, Ginsei, Kurralo, Big Boy, Quelóide, Silméia, Porra e Bibi.”
O bilhete veio com um bombom ouro branco, meu preferido.
Tenho a placa em algum por aqui.
Só achei a da homenagem anterior, da XXIX.
Ser homenageada por duas turmas da Medicina é um orgulho que terei pra sempre, especialmente por ter convivido com muitos deles até a minha aposentadoria e vê-los crescerem como profissionais, em várias especialidades médicas e, muitos deles, se tornaram docentes de respeito.
Gratidão eterna, queridos.

” A vida é uma história contada por um idiota.”, Shakespeare em Macbeth.
” Gastar a vida é usá-la ou não usá-la? Que é que estou querendo exatamente saber?” Clarice Lispector, 13/12/1969 no jornal do Brasil.
“O real é tudo aquilo que ainda não foi assimilado.”, Robert Bresson, cineasta.

Uma sequência interessante de frases que anotei num mesmo dia.

” Os homens precisam da ilusão do amor da mesma forma como precisam da ilusão de Deus.
Da ilusão do amor para não afundarem no poço horrível da solidão absoluta.
Da ilusão de Deus para não se perderem no caos da desordem sem nexo.”
Caio Fernando Abreu em Os Dragões não conhecem o paraíso.

Nessa época conheci João Camurça, onde andará, queridão?
Ainda tinha uma paixão libriana eventual e um geminiano, que de amor tornou-se amigo do pra sempre.
Aos 37 anos e sem fugir de casa, era bem Natasha.

“Um passo sem pensar
Um outro dia, um outro lugar…
O mundo vai acabar
E ela só quer dançar, dançar, dançar…”

Estava adolescente ahhhhhhh, felizfeliz, ahhhhhhh, inconsequente, ahhhh, muitas baladas e canções.

Também em maio de 1998 Botucatu teve o golpe do show dos Titãs, que foi adiado pra julho, dando tempo suficiente pro talzinho se escafeder, o show nunca acontecer, poucos serem ressarcidos.
Hoje ele mora no exterior, é fotógrafo de conflitos, dá palestras, é o tal, mas não me convence de jeito nenhum.
Canalha é canalha.
Não tem plástica pra caráter.

2020.
Até que, pelo meu estado emocional da manhã, dei um bom adianto nas tarefas do projeto quarto.
Desapeguei, desprezei, organizei.
Ainda tem muito a fazer.
E farei.
Lucas, Gardin, Silvinha e mamãe me tranquilizaram com suas boas palavras.

Hoje tem encontro com amigos queridos. Carlos não vejo desde fevereiro!
Júlia e Leandro desde julho.
Fernando desde sexta-feira.

Vejo na TV que Humaitá, no Amazonas, ainda não tem saneamento básico e queima o lixo, poluindo ainda mais a cidade que já sofre com a fumaça das queimadas.

Estive em Humaitá em 1981 com o projeto Rondon.
Do qual fui expulsa exatamente por denunciar a morte de um paciente por picada de cobra, no hospital de base, por falta de saneamento.
Área de segurança do BIS, batalhão de infantaria da selva, não havia esgoto e a cobra entrou pelo vaso sanitário.
Publiquei no jornal do campus avançado da Unesp e fui expulsa por não me calar aos podres poderes da cidade: exército e igreja.
Nada mudou, que tristeza!

Passei o resto do tempo, de 45 dias, escrevendo a “Constelação no Amazonas”, conhecendo, comendo peixe, fazendo amigos, tomando banho de igarapé e aprendendo a dançar carimbó.
Valeu!

E você, tem fome de que?

A minha fome cabe muito bem na fala do Pepe Mujica, para reflexão.

“Ser militante significa dedicar uma parte importante de nossa vida ao destino dos outros, sob a utopia e o sonho de que você pode construir um mundo um pouco melhor do que aquele que nos tocou ao nascer. A felicidade também é um pouco de solidariedade.”

Resisto e insisto em resistir sempre.

Seguimos.